Poucos se lembram de Wiley Post, mas ele fez uma das viagens mais ousadas da história da aviação.

Em 1933, um homem de tapa-olho entrou sozinho em um avião e decidiu dar a volta ao planeta. Seu nome era Wiley Post.
Hoje, poucos falam sobre ele. Mas, antes de Amelia Earhart se tornar uma das aviadoras mais conhecidas da história, Post já havia feito algo que parecia impossível: pilotar sozinho ao redor do mundo.
E fez isso em 7 dias, 18 horas e 49 minutos.
A história de Wiley Post não começou no meio dos grandes nomes da aviação. Ele trabalhou nos campos de petróleo de Oklahoma e perdeu o olho esquerdo em um acidente de trabalho.
O episódio poderia ter encerrado seus planos. No entanto, ele aproveitou para tomar outro caminho.
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A partir daí, passou a viver no ar. Foi paraquedista, piloto acrobático e depois piloto particular de magnatas do petróleo.
Foi nessa época que chegou ao avião que marcaria sua vida: o Lockheed Vega 5-C, batizado de Winnie Mae.
Em 1930, ele venceu o National Air Derby, uma corrida entre Los Angeles e Chicago, e virou uma figura nacional nos Estados Unidos. No ano seguinte, decidiu ir mais longe.
Ao lado do navegador Harold Gatty, deu a volta ao mundo em pouco mais de oito dias. A marca derrubou o recorde anterior, que pertencia ao dirigível alemão Graf Zeppelin.
Em julho de 1933, voltou ao Winnie Mae e partiu sozinho. Usou instrumentos de navegação e piloto automático em uma época em que voar ainda era uma mistura de técnica, coragem e improviso.
Quando pousou, havia se tornado o primeiro homem a completar um voo solo ao redor do mundo.
O feito aconteceu no mesmo ano em que Adolf Hitler se tornou chanceler da Alemanha. Enquanto a Europa caminhava para a guerra, Post mostrava outro lado daquele tempo: a obsessão humana por atravessar limites.
Wiley Post fez tudo isso com um olho a menos, em um avião pequeno para os padrões atuais e em um mundo sem a segurança da aviação moderna. Cada trecho carregava risco real. Cada pouso era uma vitória.
Depois disso, ele não parou.
Como o Winnie Mae não era pressurizado, trabalhou com a BF Goodrich no desenvolvimento de um traje especial, feito para permitir que pilotos voassem onde o corpo humano não suportaria naturalmente.
Era um antepassado dos trajes usados em voos espaciais.

Em seus testes, Post encontrou a corrente de jato, faixa de vento em grande altitude que mais tarde se tornaria fundamental para a aviação moderna. Também previu transportes supersônicos e até viagens espaciais.
Ele parecia enxergar décadas à frente.
A vida de Wiley Post terminou em 1935, de forma trágica. Ele e o humorista Will Rogers viajavam pelo Alasca em um avião adaptado para pousos na água. Após uma parada perto de Point Barrow, tentaram decolar. O motor falhou. O avião caiu de costas na lagoa.
Os dois morreram.
O Winnie Mae, seu avião mais famoso, acabou preservado e hoje faz parte da coleção do Smithsonian.
Wiley Post não ficou tão lembrado quanto Amelia Earhart. Mas antes dela tentar dar a volta ao mundo, ele já havia cruzado o planeta sozinho, quebrado recordes e ajudado a antecipar o futuro da aviação.
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