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Religião•5 min de leitura

Católicos celebram o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil

A devoção começou em 1717, quando três pescadores tiraram do Rio Paraíba do Sul uma pequena imagem de barro.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Fiéis rezam no Santuário Nacional de Aparecida enquanto um homem ergue a imagem de Nossa Senhora Aparecida
Fonte da imagem: Reprodução

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Católicos de todo o Brasil celebram hoje o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país.

O Santuário Nacional, em Aparecida (SP), é o maior templo dedicado à Virgem Maria no mundo. A programação de hoje começou às 5h e inclui missas, procissão e queima de fogos.

No ano passado, quase 500 mil peregrinos passaram pelo santuário nos dias que antecedem a festa. Muitos fizeram o caminho a pé.

Esse caminho começou há mais de 300 anos, às margens do mesmo rio que corta a cidade.

Desde então, a pequena imagem ganhou uma coroa de ouro de uma princesa e rosas de ouro de três papas. No início, porém, havia apenas uma rede que voltava vazia.

A pesca que não vinha

Em 1717, três pescadores receberam uma missão da Câmara de Guaratinguetá.

Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso precisavam garantir peixe para receber o Conde de Assumar, governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que passaria pela região.

Eles lançaram as redes no Rio Paraíba do Sul várias vezes. Nada.

Em uma das tentativas, a rede trouxe o corpo de uma pequena imagem de barro, sem a cabeça. Na seguinte, veio a cabeça.

Segundo a tradição, depois disso os peixes apareceram. Foram tantos que a canoa voltou cheia.

A imagem era de Nossa Senhora da Conceição. Tinha cerca de 40 centímetros e estava escurecida pelo tempo no fundo do rio. Por ter surgido das águas, ganhou o nome pelo qual é conhecida até hoje: Aparecida.

Da casa de um pescador a um santuário nacional

Durante cerca de 15 anos, a imagem ficou na casa de Filipe Pedroso. Os vizinhos se reuniam ali para rezar, e os relatos de milagres começaram a circular.

A casa ficou pequena. Veio um oratório, depois uma capela no alto do Morro dos Coqueiros. Em 1822, o então príncipe regente Dom Pedro passou por lá e rezou diante da imagem.

Em 1834, começou a construção de uma igreja maior, a atual Basílica Velha. Foi ali que a princesa Isabel, que não conseguia engravidar, pediu para ser mãe, em 1868. Anos depois, ofereceu à santa uma coroa de ouro e um manto azul.

Em 1955, começaram as obras da Basílica nova, inaugurada pelo papa João Paulo II em 1980. Quatro anos depois, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil a declarou Santuário Nacional.

Hoje, o santuário recebe cerca de 10 milhões de visitantes por ano.

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Como Aparecida se tornou padroeira

A devoção que nasceu entre pescadores ganhou reconhecimento oficial em 1930. Em 1929, os bispos do Brasil pediram ao papa Pio XI que reconhecesse oficialmente Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

O pedido foi levado adiante pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme. Em 16 de julho de 1930, Pio XI assinou o decreto.

A proclamação oficial aconteceu em 31 de maio de 1931 no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que a imagem original deixou o santuário. Cerca de 1 milhão de pessoas acompanharam a cerimônia.

Na ocasião, estava presente o presidente Getúlio Vargas. Naquele dia, as bandeiras do Brasil e do Vaticano foram acrescentadas ao manto da imagem.

A imagem se partiu em quase 200 pedaços

A imagem também sobreviveu a um atentado. Em 1978, foi derrubada durante uma tentativa de roubo e se partiu em quase 200 pedaços. Depois de restaurada no Masp, voltou ao santuário.

Mais de três séculos depois daquela pesca, a pequena imagem de barro segue reunindo milhões de brasileiros às margens do mesmo rio.

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