Atualidades5 min de leitura

Lightyear: site afirma que diretores da Disney atribuem fracasso de bilheteria a beijo lésbico

Filme da Disney fracassa em bilheteria e executivos culpam beijo lésbico, afirma site

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Imagem de Lightyear, beijo lésbico
Fonte da imagem: Divulgação Disney Pixar

Receba notícias gratuitamente em seu email

No filme Lightyear, o jovem astronauta Buzz é abandonado em um planeta hostil, junto com seu comandante e tripulação. Também hostil parece ter sido a reação de parte do público ao filme nos cinemas. A bilheteria frustrou expectativas, a ponto de a obra ser considerada um dos maiores fracassos do estúdio no ano. 

Alicerçado no reconhecimento de Toy Story, esperava-se que Lightyear entrasse para o “clube do bilhão”, assim como os últimos longas da franquia. Até ontem, 17 de setembro, os estúdios haviam arrecadado apenas US$226 milhões (cerca de R$1.223 bilhões), menos de ¼ do pretendido com a obra. O valor é insuficiente até para pagar as despesas de produção da obra.

Lightyear | Disney Movies
Filme Lightyear. Imagem: Disney Pixar.

Beijo Gay

De acordo com o site IGN, uma fonte da Pixar teria afirmado que a causa foi uma das cenas da animação. Em um determinado momento, a astronauta Alisha e sua companheira Kiko se cumprimentam com um beijo. O funcionário teria dito que internamente, as lideranças do estúdio sempre assumiram que o beijo lésbico foi o motivo do fracasso de bilheteria da obra:

“Até onde eu sei, eles sempre vão mencionar Lightyear especificamente e dizer, ‘Oh, Lightyear foi um fracasso financeiro porque teve um beijo gay nele’.”

De acordo com as publicações Variety e The Hollywood Reporter, o beijo entre duas mulheres foi a razão pela qual o filme não pôde ser exibido em diversos países, como os Emirados Árabes. Nos Emirados Árabes, Lightyear foi proibido de ser exibido. No dia 13 de setembro, o escritório regulador de mídia no local afirmou que suspendeu o licenciamento por considerar que o mesmo viola as regras locais. A obra havia sido inicialmente licenciada, mas o governo recuou na decisão após uma série de acusações de que o conteúdo insultava ao Islã e à comunidade muçulmana nas redes sociais.

Na Malásia, a autoridade censora tem uma postura severa em relação a quaisquer temas que envolvam diálogos ou temas que tenham “sexo homossexual e não natural”. A Disney foi solicitada a editar a animação. Ao se recusar, soube que não teria autorização para transmitir o filme no país. 

Na Arábia Saudita a obra sequer chegou a ser analisada. O próprio estúdio já previa que não iria conseguir exibi-lo. Relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são proibidos no país.

[LEADS] Brasil Evangélico

Don’t Say Gay”

A Disney já havia autorizado o corte na cena do beijo gay. No entanto, reconsiderou a decisão após animadores do estúdio Pixar terem enviado uma carta aberta, em que afirmavam que a empresa estava censurando conteúdo que continha cenas de “afeto abertamente gay”. O protesto foi realizado no mesmo momento em que o estado da Flórida debatia um projeto apelidado de “Don’t Say Gay”, ou seja, que impedia os debates sobre sexualidade e gênero nas escolas primárias da região.

Conhecida por seus discursos de apoio à diversidade, a Disney foi pressionada a manter o beijo lésbico na animação. O CEO da empresa, Bob Chapek, enviou um comunicado aos funcionários enfatizando que o “maior impacto” da companhia para um mundo mais inclusivo seria criado “através do conteúdo inspirador” que eles criam.

O diretor da Pixar, Pete Docter, recentemente falou sobre o fracasso do filme: 

“Em termos do que deu errado, exigimos muito do público”, afirmou. O diretor acredita que a falta de bonecos e outras conexões diretas com o universo de Toy Story pode ter influenciado o fracasso de bilheteria.

Lightyear é apenas uma das muitas obras de grandes estúdios que vêm enfrentando resistências do público por incluírem conteúdo LGBTQIA+. Vários outros títulos com a mesma abordagem fracassaram na bilheteria.

[LEADS] Brasil Evangélico
[LEADS] Brasil Evangélico