Uma falha na comunicação com a torre de controle quase colocou as duas aeronaves no mesmo espaço aéreo.

Quando duas aeronaves quase se cruzam no ar, todo país que fabricou uma delas tem direito de participar da investigação.
Foi essa regra internacional que colocou o Brasil dentro de um caso que começou em Washington.
No dia 4 de agosto, o helicóptero presidencial americano, o Marine One, passou a cerca de 1,5 quilômetro de um avião comercial que acabava de decolar do Aeroporto Ronald Reagan. Dentro do helicóptero estava Donald Trump.
O avião era um Embraer E170, fabricado no Brasil e operado pela Envoy Air, divisão regional da American Airlines.
Por isso, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) foi oficialmente notificado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, o NTSB.
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A explicação para o quase acidente está em uma reforma.
Desde julho, o helicóptero presidencial decola de um ponto alternativo, o Ellipse, um parque ao sul da Casa Branca, por causa da construção de um novo salão na sede do governo americano.
Essa mudança de local afetou a comunicação com a torre de controle do aeroporto.
O protocolo de segurança prevê um aviso obrigatório: três minutos antes da decolagem do Marine One, a torre precisa ser informada, para suspender temporariamente pousos e decolagens na região.
Nesse dia, esse aviso não chegou como deveria. Segundo o NTSB, os agentes da Casa Branca tentaram contato duas vezes. Na primeira, a mensagem simplesmente não chegou ao controlador. Na segunda, chegou cortada, "completamente inaudível".
Sem o alerta, a torre autorizou a decolagem do avião comercial normalmente. A tripulação da Envoy Air recebeu um alerta automático de tráfego logo após decolar, mas não chegou a avistar o helicóptero visualmente.
As duas aeronaves acabaram se comunicando diretamente enquanto estavam no ar, e o piloto do avião confirmou contato visual com o Marine One.
Ambas pousaram em segurança. A Casa Branca afirmou que o presidente não esteve em perigo em nenhum momento.
Para evitar que o problema se repita, a Administração Federal de Aviação (FAA) tomou uma medida técnica: transferiu o receptor de rádio de um bairro próximo para o topo da torre de controle do aeroporto Reagan.
A participação do Cenipa na investigação não significa que o Brasil tenha qualquer responsabilidade pelo incidente.
É um procedimento padrão da Organização da Aviação Civil Internacional, que garante ao país fabricante da aeronave o direito de colaborar na apuração, sempre que um de seus aviões está envolvido em um episódio como esse.
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