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Caixa-preta revela conversa de pilotos antes da tragédia da Voepass: “esse avião parece aquele Fusquinha”

A Tripulação falou sobre falhas no sistema de degelo antes da queda que matou 62 pessoas.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
ATR da Voepass
Fonte da imagem: Reprodução

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A caixa-preta costuma ser o ponto mais importante de uma investigação que envolve um desastre aéreo.

No caso do voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, ela revelou algo que vai além dos segundos finais. Os áudios mostram que os pilotos já comentavam problemas no sistema de degelo antes da perda de controle da aeronave.

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O avião ATR 72-500 saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos. As 62 pessoas a bordo morreram.

Quase dois anos depois, a Polícia Federal concluiu a investigação criminal sobre o caso.

Segundo o laudo, a tragédia foi resultado de uma combinação de fatores: acúmulo de gelo, falhas no sistema de degelo, procedimentos que não foram executados corretamente e barreiras de segurança que deixaram de funcionar.

O ponto central está no que a aeronave já vinha mostrando antes da queda.

A PF identificou que a mensagem AIRFRAME FAULT, ligada a falhas no sistema pneumático de degelo, apareceu no voo do acidente e em outros três voos anteriores. No voo imediatamente anterior, o alerta foi registrado oito vezes.

  • Saiba qual foi a conclusão da investigação no canal da Brasil Paralelo:

Mesmo com os alertas a aeronave seguiu operando

No voo anterior à queda, o alerta apareceu oito vezes. A tripulação tentou reiniciar o sistema pelo menos cinco vezes.

Ao fim da viagem, o piloto diz:

“Chegamos vivos.”

Pouco tempo depois, a mesma aeronave decolou novamente. Era o voo que terminaria em tragédia. Ainda na subida, surgiu o primeiro alerta crítico. O comandante disse:

“É o Airframe que deu fault... pode tirar, pode tirar... pelo menos a gente já sabe que tá...”

Em seguida, o copiloto demonstrou preocupação com a rota:

“Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?”

O comandante respondeu comparando o avião ao Fusquinha Herbie, do filme Se meu Fusca Falasse:

“Foi só eu falar. O avião escutou.”

De acordo com a PF, naquele momento o alerta indicava falha no sistema de degelo. O procedimento previsto pelo fabricante determinava que a tripulação deixasse imediatamente a região de formação de gelo.

Os dados do gravador de voo mostram que isso não aconteceu. Quase uma hora depois, já perto de São Paulo, a situação piorou e o copiloto observou bastante gelo na asa da aeronave.

Ele tentou acionar o sistema de degelo. A resposta do comandante foi:

“Essa b**** não tá funcionando, né?”

Em menos de um minuto, o avião perdeu sustentação e atingiu o solo.

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16 pessoas foram indiciadas

A investigação também apontou uma cultura de “não report” na companhia. Ou seja, falhas identificadas durante os voos não eram registradas e comunicadas à manutenção.

Após quase dois anos de apuração, a PF indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass por atentado contra a segurança do transporte aéreo. Entre os indiciados estão o dono da companhia e o diretor de manutenção.

A Voepass afirma que sempre atuou com padrões internacionais de segurança, que a tripulação era experiente e que segue colaborando com as autoridades.

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