Foi a sessão que decidiu o afastamento da primeira mulher a governar o Brasil, entre discursos inflamados e dedicatórias inusitadas.

Há 10 anos, 513 deputados foram chamados à tribuna para votar o impeachment de Dilma Rousseff. A sessão terminou em uma confusão jurídica que só se resolveria meses depois.
Era domingo, 17 de abril de 2016. A sessão se estendeu por quase 10 horas. Um a um, os deputados emitiram seus votos. Alguns chamaram atenção pelas dedicatórias que fizeram na hora de assumir a tribuna e foram além do sim e do não.
Hiran Gonçalves (PP-RR) dedicou seu voto aos "maçons do Brasil". Laerte Bessa (PR-DF) à própria mãe. Stefano Aguiar, do PSD de Minas Gerais, a "Liliane, meu amor".
Outros deputados tomaram um rumo bem diferente. Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro, chamou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de "gângster", em discurso dirigido à Mesa Diretora.
Jean Wyllys, também do PSOL, classificou todo o processo de impeachment como uma "farsa" e votou contra.
No voto de número 236, o deputado Jair Bolsonaro, então do PSC do Rio de Janeiro, dedicou seu voto ao fim do comunismo e à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Em resposta, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB do Rio de Janeiro, discursou classificando a aliança pró-impeachment como uma união de "corruptos, torturadores e traidores da pátria".
Às 23h08, o deputado Bruno Araújo, do PSDB de Pernambuco, proferiu o voto de número 342, atingindo o mínimo necessário para aprovar o prosseguimento do processo. Foi carregado nos braços pelos colegas de oposição.
A votação terminou em 367 votos a favor e 137 contra. O processo seguiria agora para o Senado Federal.
Dezoito dias depois, Eduardo Cunha foi afastado da Presidência da Câmara por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Em seu lugar, assumiu Waldir Maranhão. Bastaram quatro dias no cargo para o presidente interino anular as sessões de 15, 16 e 17 de abril, incluindo a votação envolvendo o impeachment. A decisão que havia encaminhado o processo ao Senado deixava de existir.
Renan Calheiros, presidente do Senado e do mesmo partido de Maranhão, o PMDB, se recusou a reconhecer a anulação. Determinou que o processo seguisse seu trâmite normal.
Sob forte pressão, inclusive do próprio partido, Maranhão revogou a decisão naquela mesma madrugada.
O caso só teria um desfecho definitivo quatro meses depois, em agosto, quando o Senado voltaria a se reunir para o julgamento final.
A votação daquele domingo foi só um capítulo. Vem aí um novo documentário da Brasil Paralelo que relembra como foi esse processo.
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