Conheça o grupo terrorista que se inspira em Solano López e criou “indústria de sequestros” no Paraguai
O Exército do Povo Paraguaio é pequeno, mas combate o governo do país há quase 20 anos.

Ao longo das últimas décadas, um grupo guerrilheiro tem espalhado o terror nas regiões rurais no Norte do Paraguai e áreas de fronteira.
O Exército do Povo Paraguaio (EPP) foi acusado pelo governo de ser responsável por ações armadas, cobrar dinheiro de produtores e promover sequestros.
O episódio mais recente atribuído ao grupo aconteceu em julho, quando uma delegacia foi atacada a tiros.
Na ocasião, o ministro do Interior, Enrique Riera, afirmou que a ofensiva tinha motivação política:
"A mensagem é política, um ataque contra o Estado, e o cruel assassinato é obra do EPP".
Embora o grupo tenha poucos integrantes, o EPP continua sendo um dos principais desafios de segurança enfrentados pelo Paraguai.
Diversos governos criaram forças especiais, ampliaram operações militares e investiram milhões de dólares para combater a organização, que permanece ativa.
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Origem do grupo vem da década de 1990
O EPP foi oficialmente criado em 1º de março de 2008, mas sua origem tem raízes que remontam a anos antes.
O grupo surgiu a partir do Partido Pátria Livre (PPL), fundado nos anos 1990. A sigla defendia um discurso marxista-leninista com o nacionalismo Paraguaio.
Uma das figuras tidas como herói para o EPP é o ditador Solano Lopez, que invadiu o Brasil em 1864, dando início à Guerra do Paraguai.
Após o enfraquecimento dessa organização, parte de seus integrantes passou a defender que a luta armada seria o único caminho para promover mudanças políticas e sociais no Paraguai.
O grupo afirma combater o sistema parlamentar, que classifica como "burguês liberal" e defende uma revolta dos trabalhadores rurais.
A vitória do presidente de esquerda Fernando Lugo em 2008 acabou com mais de seis décadas de domínio do Partido Colorado e pode ter sido vista como um incentivo para a formação do grupo.
Da mesma forma, seu impeachment em 2012 ajudou a legitimar a atuação do grupo, que alegava reagir a um “golpe de Estado”.
Um vídeo de 2010 mostra os guerrilheiros ostentando fuzis, bombas e uniformes militares:
Os primeiros ataques
Um dos casos mais emblemáticos aconteceu quando o movimento ainda usava o nome de Partido Pátria Livre, em 2004.
Eles sequestraram Cecília Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas Grau e a enterraram viva mesmo após receberem o resgate de US$800 mil.
O primeiro ataque ligado à organização aconteceu em 16 de março de 2008, quando máquinas agrícolas foram incendiadas no departamento de Concepción.
Ainda naquele ano, em dezembro, integrantes do EPP atacaram um quartel militar em Tacuatí, no departamento de San Pedro.
Desde então, essas duas regiões passaram a concentrar boa parte das operações do grupo.
Apesar da área de atuação pequena, as autoridades afirmam que a organização dificulta operações policiais porque atua de forma descentralizada e conhece o terreno onde opera.
Como o grupo se financia
Desde sua criação, o EPP passou a combinar diferentes formas de financiamento. Além de assaltos e extorsões, a principal fonte de recursos da organização passou a ser o sequestro.
O ex-ministro de Interior, Francisco Vargas, chegou a afirmar que a organização promove uma verdadeira “indústria de sequestros” no país.
A organização também exige o pagamento de um chamado "imposto revolucionário" de proprietários rurais e pecuaristas.
Até mesmo facções criminosas pagam tributos para garantir a segurança dos entorpecentes na região.
Segundo as autoridades paraguaias, quem se recusa a pagar pode sofrer ataques contra propriedades, roubo de gado ou destruição de equipamentos.
Um grupo pequeno, mas difícil de combater
Estimativas apontam que o núcleo principal do EPP seja formado por cerca de 30 combatentes permanentes, muitos deles ligados por relações familiares.
Além desse grupo central, a organização contaria com dezenas de colaboradores, uma rede logística que pode chegar a cerca de 200 pessoas e simpatizantes.
Durante anos, a liderança do grupo foi atribuída a Alcides Oviedo e Carmen Villalba, presos pelas autoridades paraguaias.
Mesmo com seus principais dirigentes encarcerados, o grupo continuou realizando operações.
Em 2014, uma dissidência deu origem ao chamado Agrupamento Camponês Armado (ACA), que passou a atuar de forma independente.
Dois anos depois, um outro braço da organização se separou e deu origem ao Exército do Marechal López (EML), em referência ao regime de Solano Lopez.
Nos anos seguintes, o próprio EPP também reorganizou sua estrutura para tentar reduzir os efeitos da pressão exercida pelas forças de segurança.
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