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"Girassol” divide o Cidade Negra: Toni Garrido muda letra e coautor reage

Alteração feita por Toni Garrido em clássico da Cidade Negra divide fãs e gera debate sobre releituras musicais.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Toni Garrido X Da Ghama
Fonte da imagem: Folha Vitória

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“Colocar a grandeza de um homem na pureza de um menino.” Essa é a mensagem de Girassol, segundo o coautor da canção, o músico Da Ghama.

O fundador do grupo Cidade Negra se pronunciou após a polêmica gerada por Toni Garrido, que anunciou uma mudança em um verso da música durante uma entrevista ao programa Altas Horas.

Da Ghama afirmou ter se sentido desrespeitado como compositor e discordou da interpretação de Toni. Segundo o artista, a letra original é uma poesia sobre a pureza e a humildade que faltam aos homens que fazem a guerra.

“A ideia era colocar a grandeza de um homem na pureza de um menino. É uma crítica aos homens que fazem a guerra, não tem nada de machista. A canção fala sobre reencontrar a doçura e a inocência de uma criança”.

Para ele, a letra original é uma poesia sobre a pureza e a humildade que faltam aos homens que fazem a guerra.

“Coisa machista ou hétero, longe disso”.

O músico reforçou que Girassol sempre foi uma canção de esperança e positividade, escrita para “trazer luz aos pensamentos obscuros” e incentivar a paz. Ele afirma que a música nunca teve relação com gênero ou comportamento.

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O que Toni Garrido disse?

A polêmica começou no último sábado (4), quando Garrido anunciou a mudança na letra da música justificando que a versão “era uma visão hétero machista”.

O verso original dizia:

“Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de um menino, de um menino.”

Na nova versão, o cantor passou a cantar:

“Já que pra ser homem tem que ter a grandeza de uma menina, de uma mulher.”

Segundo Toni, a mudança foi uma forma de homenagear as mulheres.

“Durante anos eu achava que cantava uma canção certa de amor. Depois de 25 anos, caiu a ficha. Era uma visão hétero machista, horrível”.

Reação do público: fãs divididos entre nostalgia e desaprovação

Após as declarações de Garrido, alguns fãs criticaram a mudança. Parte do público afirmou que a letra original não trazia conotação machista e preferia que fosse mantida como antes.

“P*** merda, mano...eu era muito fã de Cidade Negra quando era criança. 

Escutar um comentário desses é de partir o coração”,publicou um usuário no X.

O perfil @coisaslegais afirmou que a atitude do cantor rompeu um legado “bonito” e “poético”.

“Achei que Tony Garrido havia deixado um legado bonito sem nenhum problema de gênero e apenas poesia. Mas não, ele quis ir lá entrar no final da fila do lacre e chegar muito depois do final da festa com um “não problema”. Tony, a nova geração não vai te ouvir pq sua música, apesar de boa, não conecta com essa geração. Você só fez papel de bobo mesmo”.

Em seu Instagram, muitos fãs reagiram à postagem lamentando as declarações do cantor.

Comentários na Rede Social de Toni Garrido. Imagem: Reprodução Instagram.

Os comentários de fãs concordam com Da Ghama, que afirma que a música é uma poesia.

“Coisa machista ou hétero, longe disso. Na verdade, é uma poesia”.
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Apoio nas redes

Apesar das críticas, Toni Garrido também recebeu manifestações de apoio à mudança na letra de Girassol.

Entre os defensores, o usuário Edu Vida Cruel escreveu nas redes sociais que achou a mudança “ótima”.

“Toni Garrido mudou a letra de Girassol e achei que ficou ótima! Cidade Negra me representa. Cresci ouvindo e aprendi a ler com o encarte de ´Sobre todas as forças´. Tá certo sim. Se acha que tá hétero top, machista e datada, muda! Ainda há tempo.”

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) também se manifestou, compartilhando o vídeo da entrevista no Altas Horas e elogiando a decisão do cantor. Segundo ela, o gesto de Toni “mostra como a desconstrução é um processo contínuo”.

“Reconhecer que uma letra escrita há 25 anos pode carregar traços machistas e ter a coragem de transformá-la hoje é um exemplo poderoso de evolução pessoal e coletiva”.

Resposta de Toni Garrido às críticas

O cantor publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que a alteração foi uma “brincadeira amorosa” e que o público pode cantar a música da forma que preferir.

"No meu entendimento, na minha brincadeira amorosa eu queria homenagear as mulheres. Todo grande homem tem a grandeza de um pai e de uma mãe. E de um menino também, poeticamente falando”.

Ele reforçou que não pretende substituir a versão original, apenas oferecer uma leitura alternativa.

“Quem quiser cantar ‘menino’, cante. Quem quiser cantar ‘menina’, cante também. É sobre amor, não sobre polêmica.”

A polêmica abriu espaço para o debate sobre mudanças em músicas consagradas e sobre como os artistas reinterpretam suas próprias obras ao longo do tempo.

Toni Garrido afirma que a alteração foi uma forma de homenagear as mulheres. Já o coautor Da Ghama e parte do público defendem a manutenção da versão original, que consideram a música uma poesia.

No podcast Conversa Paralela, Lara Brenner e Arthur Morrison receberam Jota para falar sobre a cultura Woke. 

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