Fezes ajudam a criar nuvens
As fezes dos pinguins liberam grandes quantidades de amônia na atmosfera. Esse gás atua como peça-chave na formação de aerossóis, partículas que ajudam a criar nuvens.
Essas nuvens extras funcionam como uma espécie de escudo natural: refletem parte da radiação solar de volta ao espaço e ajudam a manter a temperatura mais baixa.
Durante medições no verão de 2023, os pesquisadores observaram que, quando o vento vinha de grandes colônias de pinguins, a concentração de amônia no ar aumentava fortemente.
Em alguns casos, os níveis foram mais de mil vezes maiores do que em áreas sem a presença das aves.
As medições ocorreram perto da Estação Marambio, ao norte da Antártica, e analisaram duas grandes colônias de pinguins, que juntas somavam cerca de 60 mil pares reprodutores.
Mesmo após a migração dos animais, o solo permanece impregnado com as fezes e continua liberando amônia para a atmosfera, prolongando o efeito climático.
Como a amônia vira nuvem?
O processo acontece em etapas:
- O guano libera amônia gasosa no ar;
- Essa amônia se combina com outros gases presentes na atmosfera antártica, como o ácido sulfúrico e a dimetilamina, composta de origem marinha;
- Esses elementos se unem e formam pequenos aglomerados de partículas;
- Com o tempo, esses aglomerados crescem até se tornarem núcleos de condensação de nuvens, fundamentais para a formação de gotículas.
A presença da amônia é decisiva nesse processo. Ela funciona como um estabilizador químico, impedindo que essas partículas iniciais se desfaçam antes de crescer.
A Antártica possui pouca vegetação e poucas fontes naturais de aerossóis. Por isso, o papel desempenhado pelos pinguins e outras aves marinhas se torna ainda mais relevante.
Além de influenciar o clima, os pinguins são considerados indicadores naturais da saúde dos oceanos.
Sensíveis a alterações ambientais, eles refletem mudanças na disponibilidade de alimento, na temperatura da água e no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.