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Estudo aponta que fezes de pinguins ajudam a resfriar a Antártida

Excrementos desses animais formam nuvens e impedem que o calor chegue à região.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Pinguins
Fonte da imagem: Aventuras na História

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Um detalhe improvável da vida selvagem pode estar ajudando a conter o aquecimento global no lugar mais frio do planeta.

Segundo um estudo recente, as fezes dos pinguins contribuem para a formação de nuvens na Antártida, reduzindo a incidência de luz solar e ajudando a frear o aumento da temperatura na região.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Helsinque e publicada na revista científica Communications Earth & Environment, do grupo Springer Nature.

Os pesquisadores analisaram como colônias de pinguins influenciam processos atmosféricos essenciais para o clima antártico.

Além disso, os pinguins são indicadores da saúde dos oceanos, pois refletem mudanças na temperatura da água, no alimento disponível e no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

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Fezes ajudam a criar nuvens

As fezes dos pinguins liberam grandes quantidades de amônia na atmosfera. Esse gás atua como peça-chave na formação de aerossóis, partículas que ajudam a criar nuvens.

Essas nuvens extras funcionam como uma espécie de escudo natural: refletem parte da radiação solar de volta ao espaço e ajudam a manter a temperatura mais baixa.

Durante medições no verão de 2023, os pesquisadores observaram que, quando o vento vinha de grandes colônias de pinguins, a concentração de amônia no ar aumentava fortemente.

Em alguns casos, os níveis foram mais de mil vezes maiores do que em áreas sem a presença das aves.

As medições ocorreram perto da Estação Marambio, ao norte da Antártica, e analisaram duas grandes colônias de pinguins, que juntas somavam cerca de 60 mil pares reprodutores.

Mesmo após a migração dos animais, o solo permanece impregnado com as fezes e continua liberando amônia para a atmosfera, prolongando o efeito climático.

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Como a amônia vira nuvem?

O processo acontece em etapas:

  • O guano libera amônia gasosa no ar;
  • Essa amônia se combina com outros gases presentes na atmosfera antártica, como o ácido sulfúrico e a dimetilamina, composta de origem marinha;
  • Esses elementos se unem e formam pequenos aglomerados de partículas;
  • Com o tempo, esses aglomerados crescem até se tornarem núcleos de condensação de nuvens, fundamentais para a formação de gotículas.

A presença da amônia é decisiva nesse processo. Ela funciona como um estabilizador químico, impedindo que essas partículas iniciais se desfaçam antes de crescer.

A Antártica possui pouca vegetação e poucas fontes naturais de aerossóis. Por isso, o papel desempenhado pelos pinguins e outras aves marinhas se torna ainda mais relevante.

Além de influenciar o clima, os pinguins são considerados indicadores naturais da saúde dos oceanos.

Sensíveis a alterações ambientais, eles refletem mudanças na disponibilidade de alimento, na temperatura da água e no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

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