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Estatal federal teria usado R$35 milhões de parceria com UFRJ para contratar cabos eleitorais

Esquema teria começado depois que o prefeito de Belford Roxo apoiou Lula em 2022, afirma Uol.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
PortosRio. Empresa deu mais de R$35 milhões a cabos eleitorais
Fonte da imagem: Reprodução

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Uma empresa administrada pelo governo Lula gastou mais de R$35 milhões com cabos eleitorais, aponta uma investigação do UOL

O esquema teria funcionado por meio de um convênio firmado entre a estatal PortosRio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O objetivo da parceria era financiar estudos científicos, projetos de engenharia, capacitação profissional e ações de integração entre portos e comunidades.

De acordo com a investigação, parte dos recursos destinados ao projeto teriam beneficiado uma rede de pessoas ligadas ao grupo do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho Carneiro (Republicano).

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Como funcionava o convênio?

O acordo prevê um repasse total de R$35 milhões, dividido em três parcelas. A última está prevista para setembro, mês anterior às eleições.

Segundo o UOL, a primeira parcela incluiu uma folha de pagamento sigilosa de R$8,9 milhões, utilizada para remunerar centenas de bolsistas vinculados ao projeto.

A investigação, porém, afirma que parte desses bolsistas possuía atuação político-partidária.

Segundo o levantamento, 305 deles possuíam vínculos diretos com a classe política, entre eles:

  • pré-candidatos;

  • ex-assessores parlamentares;

  • familiares de políticos;

  • dirigentes partidários;

  • cabos eleitorais;

  • militantes.

A reportagem sustenta que diversos beneficiários participavam simultaneamente de atividades políticas, como organização de eventos de campanha, mobilização de apoiadores e articulações eleitorais.

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Quem é apontado como beneficiário político?

Segundo a investigação, a PortosRio passou a ser uma área de influência política de Waguinho Carneiro, que teria indicado mais de 30 aliados para cargos de direção e gerência na estatal.

A reportagem afirma que essa aproximação ocorreu após Waguinho apoiar Lula nas eleições de 2022 e ampliar sua aliança com o governo federal.

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O que dizem PortosRio e UFRJ?

A PortosRio negou que tenha contratado uma rede de cabos eleitorais. Segundo a estatal, o convênio foi firmado institucionalmente com a UFRJ para desenvolver estudos científicos.

A estatal informou ainda que cabe ao Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG/COPPE-UFRJ) planejar os projetos e selecionar os profissionais necessários para sua execução.

A PortosRio também declarou que seus órgãos internos de governança identificaram pontos que exigem esclarecimentos e determinaram a suspensão de novos repasses até que as condições estabelecidas sejam atendidas. 

Segundo a empresa, essa decisão não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade.

A UFRJ afirmou que o convênio é legal, possui previsão em lei e contempla dois grupos distintos de bolsistas.

Segundo a universidade, um grupo atua em projetos técnicos e científicos ligados à modernização dos portos, enquanto outro participa do programa Capacita Portos, voltado para cursos de extensão e qualificação profissional.

A instituição informou que os bolsistas técnicos não possuem vínculo empregatício e que os bolsistas de custeio recebem as bolsas conforme a participação e frequência nas atividades de capacitação.

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