Esquema teria começado depois que o prefeito de Belford Roxo apoiou Lula em 2022, afirma Uol.

Uma empresa administrada pelo governo Lula gastou mais de R$35 milhões com cabos eleitorais, aponta uma investigação do UOL.
O esquema teria funcionado por meio de um convênio firmado entre a estatal PortosRio e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O objetivo da parceria era financiar estudos científicos, projetos de engenharia, capacitação profissional e ações de integração entre portos e comunidades.
De acordo com a investigação, parte dos recursos destinados ao projeto teriam beneficiado uma rede de pessoas ligadas ao grupo do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho Carneiro (Republicano).
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O acordo prevê um repasse total de R$35 milhões, dividido em três parcelas. A última está prevista para setembro, mês anterior às eleições.
Segundo o UOL, a primeira parcela incluiu uma folha de pagamento sigilosa de R$8,9 milhões, utilizada para remunerar centenas de bolsistas vinculados ao projeto.
A investigação, porém, afirma que parte desses bolsistas possuía atuação político-partidária.
Segundo o levantamento, 305 deles possuíam vínculos diretos com a classe política, entre eles:
pré-candidatos;
ex-assessores parlamentares;
familiares de políticos;
dirigentes partidários;
cabos eleitorais;
militantes.
A reportagem sustenta que diversos beneficiários participavam simultaneamente de atividades políticas, como organização de eventos de campanha, mobilização de apoiadores e articulações eleitorais.
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Segundo a investigação, a PortosRio passou a ser uma área de influência política de Waguinho Carneiro, que teria indicado mais de 30 aliados para cargos de direção e gerência na estatal.
A reportagem afirma que essa aproximação ocorreu após Waguinho apoiar Lula nas eleições de 2022 e ampliar sua aliança com o governo federal.
A PortosRio negou que tenha contratado uma rede de cabos eleitorais. Segundo a estatal, o convênio foi firmado institucionalmente com a UFRJ para desenvolver estudos científicos.
A estatal informou ainda que cabe ao Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG/COPPE-UFRJ) planejar os projetos e selecionar os profissionais necessários para sua execução.
A PortosRio também declarou que seus órgãos internos de governança identificaram pontos que exigem esclarecimentos e determinaram a suspensão de novos repasses até que as condições estabelecidas sejam atendidas.
Segundo a empresa, essa decisão não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual irregularidade.
A UFRJ afirmou que o convênio é legal, possui previsão em lei e contempla dois grupos distintos de bolsistas.
Segundo a universidade, um grupo atua em projetos técnicos e científicos ligados à modernização dos portos, enquanto outro participa do programa Capacita Portos, voltado para cursos de extensão e qualificação profissional.
A instituição informou que os bolsistas técnicos não possuem vínculo empregatício e que os bolsistas de custeio recebem as bolsas conforme a participação e frequência nas atividades de capacitação.
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