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Entenda a operação da Polícia Federal contra Mário Frias envolvendo o filme do Bolsonaro

Defesa nega que recursos públicos teriam sido repassados para a produtora e afirma que emendas do deputado chegaram aos destinos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Entenda a operação contra Mário Frias
Fonte da imagem: Roberto Castro/ Mtur

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O ator e ex-ministro da Cultura, Mário Frias, foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (10). A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino STF, relator do caso.

Durante a investigação, os agentes identificaram que uma conta bancária atribuída ao deputado foi usada para transferir R$645,4 mil à produtora do filme sobre Bolsonaro, Dark Horse. 

A operação faz parte de uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo o financiamento do longa-metragem

Os repasses ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, período em que o filme estava sendo gravado. 

"Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio deputado federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias", escreveram os investigadores.

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Relatórios do Coaf alimentam suspeitas

Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi o fato das transferências aparecerem no relatório do Coaf sobre a Go Up, mas não constarem no relatório sobre o próprio deputado.

Por causa dessa divergência, a Polícia Federal passou a trabalhar com a hipótese de que o dinheiro tenha sido transferido por meio de outra instituição financeira.

"Observe-se que o período de quase um ano engloba aquele da comunicação da Go Up; entretanto, a remessa não é computada na presente comunicação, o que leva a crer que tenha ocorrido por conta de outro banco."

A operação desta quinta-feira também teve como alvo Karina Ferreira da Gama, empresária responsável pela Go Up Entertainment e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A relação entre a produtora e a organização sem fins lucrativos levantou suspeitas sobre o possível uso de recursos públicos destinados por emendas parlamentares.

De acordo com a PF, o Instituto Conhecer Brasil recebeu cerca de R$2 milhões provenientes de emendas indicadas por Mario Frias.

A defesa do deputado afirma que esses recursos foram destinados exclusivamente a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esporte, negando que tenham sido utilizados na produção do filme.

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Dinheiro teria sido repassado através de laranjas

Durante a apuração, a Polícia Federal identificou que o Instituto Conhecer Brasil transferiu R$8,55 milhões para a empresa Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda.

Segundo a investigação, a empresa funcionaria como uma espécie de distribuidora de recursos dentro da estrutura financeira investigada.

Em menos de três meses, entre julho e outubro de 2024, a Ultra IP movimentou R$31,6 milhões.

A PF afirma que a empresa fez novos repasses para pessoas jurídicas que apresentam características incompatíveis com os valores movimentados.

Entre elas está uma empresa registrada em nome de uma cuidadora de idosos que recebia salário de R$1.815 e era beneficiária do Bolsa Família. Essa empresa recebeu R$1,07 milhão.

Outra transferência identificada foi de R$627 mil para uma empresa cujo único sócio tinha como última ocupação formal registrada a de servente de obras.

Além disso, a Ultra IP enviou R$1,33 milhão para a Academia Nacional de Cultura, outra entidade presidida por Karina Gama.

Segundo a Polícia Federal, essas empresas teriam sido utilizadas para redistribuir recursos e dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Vale destacar que esse caso não tem relação com as investigações sobre a relação de Daniel Vorcaro com o filme.

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