Sem um vencedor nas eleições: entenda o que acontece agora em Israel
País pode ter novas eleições se governo ou oposição não conseguirem formar uma aliança com a maioria do congresso.

As eleições israelenses terminaram em um impasse entre a coalizão governista e os partidos de oposição.
O Likud, partido do primeiro-ministro, e seus aliados da direita conseguiram somar a maior bancada do parlamento, com 53 cadeiras.
Apesar disso, seguem sem conseguir se articular para alcançar as 61 necessárias para governar.
Enquanto isso, a oposição liderada pelo ex-comandante militar Gadi Eisenkot conseguiu chegar a 48 cadeiras.
Com esse cenário de divisão política, os líderes da oposição e do governo estão correndo para tentar construir as alianças necessárias para formar maioria.
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Partidos árabes fora do jogo?
Um dos maiores impasses está relacionado aos partidos árabes, que cresceram e chegaram a somar 19 cadeiras no total.
Netanyahu os tem acusado de comprarem votos, intimidarem presidentes de mesa e cometerem outros crimes eleitorais para conseguirem esse resultado.
Enquanto isso, Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que conta com três siglas árabes, ofereceu seu apoio à oposição:
“Quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu, cujas mãos estão manchadas de sangue, deve nos procurar e abrir caminho para a mudança”.
No entanto, Eisenkot afirmou que não vai governar com partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população.
Ele perdeu um filho e um sobrinho durante os combates que se seguiram ao atentado de 7 de outubro de 2023.
Relembre o ataque e entenda suas consequências para Israel e o Oriente Médio com o documentário From The River To The Sea. Assista completo abaixo:
Netanyahu pode se aproximar dos aliados da oposição
Um cenário possível é que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, procure os aliados de Eisenkot para tentar formar a maioria.
As principais opções são os partidos da direita que se juntaram à aliança oposicionista do general.
Entre eles, o partido Yisrael Beiteinu e a aliança política Beyachad. Apesar de estarem no mesmo espectro de Netanyahu, as siglas são fortes críticas de seu governo.
Os dois partidos se opõem à isenção do serviço militar obrigatório para os judeus ultraortodoxos, algo importante para os partidos religiosos da aliança governista.
Além disso, coordenam ataques contra o governo Netanyahu e contra a própria figura do primeiro-ministro.
Uma nova eleição?
Caso nenhum dos dois consiga estruturar uma aliança política capaz de formar a maioria, serão convocadas novas eleições.
Enquanto o pleito fosse realizado, Netanyahu seguiria à frente de um governo provisório como primeiro-ministro.
Além disso, ele teria grandes chances de vencer a disputa, já que há a possibilidade da alta participação árabe não se repetir.
Boa parte dos eleitores também tem preocupações com a estabilidade no país em meio a uma série de conflitos internacionais.
De fato, se alguém consegue garantir estabilidade em Israel é justamente Netanyahu. Ele chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999.
Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.
Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:
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