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Disputa por boneca reborn envolve ex-casal e levanta debate jurídico sobre limites do Direito

Boneca reborn em Goiânia expõe dilemas jurídicos e emocionais da era digital, com disputas por afeto, patrimônio e redes sociais.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Boneca Reborn
Fonte da imagem: Foto: Uendel Galter/ Ag. A TARDE

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Uma situação inusitada registrada em Goiânia está chamando atenção nas redes sociais e entre especialistas em Direito: um ex-casal buscou auxílio jurídico para definir quem teria direito de ficar com uma boneca reborn,  modelo ultrarrealista que imita bebês.

A advogada digital Suzana Ferreira foi procurada por uma mulher que desejava ingressar na Justiça com um pedido formal de guarda da boneca após o fim do relacionamento. A informação é do site Metrópoles. Segundo a cliente, a figura fazia parte da estrutura familiar construída com o ex-companheiro, que também demonstrava forte apego emocional ao objeto.

Embora tenha se recusado a levar o caso adiante, por considerar juridicamente inviável atribuir direitos de guarda a um item inanimado, Suzana compartilhou a experiência em vídeo publicado nas redes sociais, onde o episódio rapidamente viralizou.
"Eu não consegui manter o distanciamento profissional no momento do atendimento". Logo depois, refletiu sobre os desdobramentos legais da situação.

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Rede social e monetização

Além do vínculo afetivo, a disputa se estendia à esfera digital. A boneca, segundo relato da cliente, possuía uma conta no Instagram que já vinha gerando receita por meio de publicidade. O ex-companheiro também queria participar da administração da página.

Diante disso, a advogada se mostrou disposta a oferecer suporte jurídico apenas em relação ao perfil na rede social, esse, sim, um ativo de valor econômico e passível de regulamentação.
"A disputa pelo Instagram é um tema legítimo dentro do direito digital", avaliou Suzana.

Fenômeno cultural e implicações legais

As bonecas reborn, produzidas artesanalmente com impressionante realismo, podem custar entre R$ 3 mil e R$ 15 mil. Além de serem procuradas por colecionadores, muitas são utilizadas com fins terapêuticos ou como forma simbólica de lidar com perdas afetivas. Nos últimos anos, o fenômeno cresceu nas redes sociais e se tornou um nicho de mercado.

Com isso, os conflitos envolvendo esses objetos se tornaram mais frequentes. A ponto de projetos de lei começarem a surgir no Brasil para regulamentar aspectos da prática. Em Minas Gerais, um deputado estadual protocolou uma proposta que proíbe o atendimento a bonecas reborn em unidades de saúde, após um episódio em que uma mulher tentou levar a sua “filha” reborn para ser examinada por médicos.

No Rio de Janeiro, a Câmara Municipal aprovou uma data comemorativa chamada “Dia da Cegonha Reborn”, prevista para 4 de setembro, destacando o caráter simbólico e afetivo das bonecas.

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Reflexos no Judiciário

A advogada que trouxe o caso à tona alertou para o desafio crescente que essas novas formas de relação com objetos podem representar ao Judiciário.

"O modo como a sociedade expressa afeto está mudando, e isso traz consequências diretas para o exercício do Direito".

Diante de pedidos cada vez mais inusitados — como guarda, pensão ou divisão de custeios de bonecas —, cresce também o debate sobre até onde o sistema jurídico deve se adaptar às transformações culturais.

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