Após reportagens, a jornalista passou a ser alvo de ataques que colocaram em debate o papel da imprensa e o sigilo da fonte.

A jornalista Malu Gaspar passou a ser alvo de ataques nas redes sociais após publicar reportagens sobre supostas pressões do ministro Alexandre de Moraes sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Comentários exigindo que ela revelasse suas fontes, apresentasse provas e ataques pessoais buscaram desqualificar o seu trabalho.
O foco da discussão rapidamente deixou de ser o conteúdo das reportagens e passou a ser a própria jornalista.
A principal linha de ataque consistiu na exigência para que Malu Gaspar apresentasse provas públicas e identificasse suas fontes.
A cobrança ignora um ponto central do jornalismo profissional: o sigilo da fonte é garantido pela Constituição Federal e constitui um dos pilares da liberdade de imprensa.
“Assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. (Inciso XIV, art. 5º da Constituição Federal, de 1988)
Especialistas e entidades da área veem esse tipo de pressão como uma estratégia recorrente de intimidação.
Ao deslocar o foco do fato para o método jornalístico, o debate se inverte e o jornalista passa a ser tratado como suspeito.
Nas redes, multiplicaram-se comentários. Alguns usuários sugeriram que a jornalista estaria “mentindo” ou produzindo “fofoca”, enquanto outros afirmaram que a ausência de provas públicas invalidaria a reportagem.
Além disso, muitos comentários passaram a associar Malu Gaspar à figura de Sérgio Moro, sobretudo após a jornalista publicar a matéria “A democracia não precisa de heróis”.
Nos comentários, usuários a acusaram de ter apoiado Moro no passado e de ter contribuído para ampliar a relevância do ex-juiz da Lava Jato.


Na própria matéria publicada no dia de Natal, porém, Malu afirma que “Moro cruzou o balcão para orientar o Ministério Público nas ações contra o megaesquema de corrupção montado no governo Lula”.
A revista Fórum também criticou a jornalista, afirmando que ela teria esquecido o papel da mídia, especialmente da Globo, na produção do que chamou de fake news vazadas por Moro à época da operação.
Alguns veículos, como o Jornal do Brasil, apontaram o uso recorrente de fontes anônimas como um problema e questionaram a insistência da cobertura.
O jornalista Luis Nassif, por exemplo, publicou uma análise afirmando que a repetição do tema em diferentes veículos do mesmo grupo indicaria uma campanha articulada.
Para ele, uma denúncia é legítima, mas a insistência sem apresentação pública de provas poderia sugerir intenção política.
Diante da escalada de ataques, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota pública repudiando as investidas contra a jornalista.
A entidade destacou que ataques a profissionais da imprensa, especialmente mulheres, tornaram-se frequentes nos últimos anos, sobretudo quando reportagens envolvem autoridades em posições de poder.
Segundo a Abraji, quando um jornalista é intimidado por exercer sua função, não é apenas o profissional que perde, mas a sociedade como um todo.
Até o momento, Malu Gaspar não se manifestou publicamente sobre os ataques e limitou os comentários em suas redes sociais.
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