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Jesse Jackson, braço direito de Martin Luther King, morre aos 84 anos

Pastor batista e cotado para à presidência dos EUA, Jackson foi um dos principais articuladores do movimento pelos direitos civis.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Martin Luther King e Jesse Jackson
Fonte da imagem: Reprodução

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Jesse Jackson morreu na manhã desta terça-feira (17), aos 84 anos, em decorrência de complicações da doença de Parkinson, diagnosticada em 2017.

O ativista faleceu em sua residência, cercado pela família.

A notícia encerra uma trajetória de seis décadas de trabalho pela diplomacia e pela luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Quem é Jesse Jackson?

Nascido em 1941 na Carolina do Sul, Jackson cresceu sob as leis "Jim Crow", que impunham a separação racial em espaços públicos.

Seu ingresso no ativismo ocorreu na faculdade, após ser preso ao tentar entrar em uma biblioteca reservada a brancos.

Na década de 1960, tornou-se colaborador próximo de Martin Luther King Jr., integrando a Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC).

Jackson estava presente no Lorraine Motel, em Memphis, no dia 4 de abril de 1968, quando King foi assassinado.

Após a morte do mentor, ele fundou a Rainbow PUSH Coalition, organização focada na defesa de minorias e no empoderamento econômico da comunidade negra.

Campanha presidencial e declarações antissemitas

Jesse Jackson alterou a dinâmica do Partido Democrata ao disputar a indicação para a presidência em 1984 e 1988. No entanto, sua primeira campanha foi marcada por uma crise diplomática interna.

Durante as primárias de 1984, Jackson utilizou termos antissemitas em conversas com jornalistas, referindo-se aos judeus como "hymies" e à cidade de Nova York como "Hymietown".

O termo é uma variação pejorativa do nome Hyman. Após negar o episódio inicialmente, o pastor pediu desculpas públicas, mas o evento gerou um desgaste permanente com o eleitorado judeu.

A tensão foi agravada por posicionamentos anteriores, como o apoio à criação de um Estado palestino e o reconhecimento da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Em 1979, Jackson foi criticado ao ser fotografado abraçando Yasser Arafat e por manter laços políticos com Louis Farrakhan, líder da Nação do Islã conhecido por declarações antissemitas.

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Missões humanitárias de Jackson

Apesar das polêmicas domésticas, Jackson atuou como enviado especial do governo Bill Clinton para a África e ganhou notoriedade por mediar crises internacionais.

Ele negociou diretamente com líderes estrangeiros para garantir a libertação de cidadãos americanos:

  • Síria (1984): obteve a libertação do aviador Robert Goodman Jr;
  • Cuba (1984): negociou a soltura de dezenas de prisioneiros políticos;
  • Iraque (1990): reuniu-se com Saddam Hussein para liberar reféns após a invasão do Kuwait;
  • Sérvia (1999): mediou a entrega de três soldados americanos capturados.

Em 2000, Jackson recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos.

Mesmo com o avanço do Parkinson, manteve presença em atos públicos recentes, como os protestos após a morte de George Floyd em 2020.

Em nota, a família Jackson descreveu o ativista como um "líder servidor para os oprimidos e marginalizados em todo o mundo".

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