MP investiga se autoridades participaram e defesa do dono do Master diz que encontros consensuais entre adultos não são crime.

Mensagens de WhatsApp anexadas a um processo judicial trouxeram à tona a rotina de eventos luxuosos promovidos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Os relatos incluem reclamações sobre o excesso de convidados e a presença de prostitutas em uma casa em Trancoso (BA). Eles motivaram o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União a pedir a abertura de uma investigação.
De acordo com a Folha de São Paulo, o objetivo é identificar autoridades públicas federais que teriam participado dessas festas, apelidadas por interlocutores de "Cine Trancoso".
O caso ganhou destaque a partir de um processo envolvendo a venda da casa onde Vorcaro se hospedava em Trancoso. A antiga proprietária, a empresária Sandra Habib, registrou sua indignação em conversas com o corretor do imóvel.
Nas mensagens, Sandra afirma que o então locatário teria descumprido o contrato ao levar mais de 30 pessoas para a residência, além de contratar um conjunto de pagode com som acima do permitido.

A empresária também reclama da presença de garotas de programa levadas ao local, relatando que seus funcionários ficaram chocados com a movimentação.
De acordo com a investigação do Ministério Público, os eventos contavam com a presença de altas autoridades dos Três Poderes, membros do mercado financeiro e do meio jurídico.
Segundo a Folha de S. Paulo, executivos e integrantes de órgãos públicos, as festas não se limitavam à Bahia; ocorriam também em São Paulo, Nova York e Lisboa.
Os relatos descrevem um padrão de ostentação:
A defesa de Daniel Vorcaro repudia veementemente as alegações. Em nota, os advogados afirmam que as informações são baseadas em fontes não confiáveis e relatos distorcidos para construir uma "narrativa difamatória e sensacionalista".
Segundo os representantes de Vorcaro, as mensagens fazem um "juízo moral" e representam uma invasão da esfera privada, sem relevância jurídica, já que festas entre adultos consensuais não constituem crime.
A defesa também alega que o empresário está sendo alvo de uma tentativa de extorsão e constrangimento público.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.