Após assumir o comando do grupo, o criminoso reconfigurou sua estrutura e estratégias.

O PCC se tornou a facção criminosa mais poderosa do Brasil, controlando desde bocas de fumo espalhadas pelo país até esquemas bilionários de lavagem de dinheiro.
Longe da estrutura que possui hoje, a organização nasceu em 1993 a partir de um time de futebol criado por detentos na Casa de Custódia de Taubaté, no interior de São Paulo.
O crescimento do grupo só ganhou outra dimensão por causa de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Embora não tenha participado da fundação do PCC, ele reorganizou completamente a facção e implantou um modelo que permanece até hoje.
Segundo o capitão Antunes, policial e especialista em segurança pública, a principal diferença entre Marcola e os antigos líderes estava na forma de agir.
"Hoje, pela personalidade do Marcola, a facção é mais articulada. Ela é menos do enfrentamento aberto e mais de um enfrentamento velado."
Essa mudança fez com que o PCC se tornasse uma estrutura criminosa com divisão de funções, inteligência própria e capacidade nacional.
A Brasil Paralelo investigou o poder da facção e sua expansão em sua nova produção, Entre Lobos 2026.
A produção é uma revisão do maior documentário sobre o tema no país, feito em 2022 e será lançado no dia 30 de julho, às 20 horas.
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O Primeiro Comando da Capital surgiu em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté como um time de futebol criado por detentos.
Na verdade, o objetivo era aproveitar uma partida para matar criminosos rivais do interior paulista que cumpriam pena na mesma unidade.
Depois desse episódio, o grupo passou a estabelecer regras internas entre os presos e a defender melhores condições dentro do sistema penitenciário.
Os fundadores, principalmente Geleião e Cesinha, comandavam a organização principalmente pelo medo e pela intimidação.
Marcola, por outro lado, conquistou espaço por meio da articulação política dentro dos presídios.
“Eu não vou dizer inteligência, mas uma argústia, uma capacidade de articulação maior do que o Cezinho e o Jaleião. Os dois eram grandes líderes, grandes oradores, eles conseguiam dominar a mentalidade da massa carcerária, mas o Marcola, tem essa característica de ser mais articulado”, comentou o capitão Antunes.
O conflito entre os dois grupos acabou se tornando pessoal e chegou ao ápice com o assassinato da esposa de marcola, a advogada Ana Maria Olivato.
"Eles assassinaram a minha esposa e tentaram me matar. Eu declarei uma guerra contra eles. O sistema penitenciário, cansado de ser oprimido por eles, acabou os repudiando. Eu passei a ser visto pelo sistema penitenciário como líder do PCC", contou o criminoso em um depoimento.
Em 1999, durante uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté, dois dos fundadores, Da Fé e Bicho Feio, foram mortos pelos próprios integrantes da facção.
Uma das cabeças chegou a ser lançada para fora do presídio como sinal de que o comando havia mudado. A partir daquele momento, Marcola consolidou sua liderança.
A principal transformação promovida por Marcola foi abandonar um comando centralizado e dividir o poder entre diversos núcleos especializados.
Esses setores passaram a ser conhecidos como Sintonias. Cada uma delas recebeu uma função específica dentro da organização. Entre as principais estão:
Sintonia Final, responsável pelas decisões estratégicas;
Sintonia Restrita, dedicada à inteligência e contraespionagem;
Sintonia Geral dos Presídios, que controla a disciplina nas cadeias;
Sintonia do Progresso, responsável pelas finanças;
Sintonia dos Gravatas, formada por advogados e contatos externos;
Sintonia do Exterior, que administra operações internacionais;
Sintonia Final da Rua, responsável pelas atividades em cada região;
Quadro dos 14, um tribunal interno encarregado de julgar e aplicar punições.
Além disso, cada estado brasileiro passou a possuir uma Sintonia Estadual, reproduzindo a mesma estrutura da direção nacional.
Esse modelo tornou a organização menos dependente de uma única liderança, dificultando ainda mais o trabalho da polícia.
Mesmo com integrantes presos, as diferentes áreas continuam funcionando de forma autônoma.
Parte do surgimento dessa estrutura descentralizada veio com a convivência ao lado do guerrilheiro comunista Maurício Hernández Norambuena.
Ele também ensinou táticas de terrorismo para a organização, que foram usadas durante os ataques que a facção organizou em 2006, que ficaram conhecidos como “salve geral”.
O crime organizado brasileiro cresceu a ponto de chamar a atenção do mundo e ser classificado como terrorista pelo governo americano.
A Brasil Paralelo investigou a fundo as raízes e a evolução da crise de segurança com a série Entre Lobos.
O sucesso de 2022 chamou a atenção para essa questão, ajudando milhões de brasileiros a compreenderem a situação.
Agora, a produção está sendo atualizada em um novo lançamento que estreia no dia 30 de julho, às 20 horas.
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