O homem de 72 anos afirmou que se despediu de sua família e está pronto para uma pena que será perpétua na prática.

Mario Roggero trabalhava em sua loja junto de sua esposa e filha quando foi surpreendido por dois criminosos.
Eles renderam a família com uma faca e uma pistola, que depois foi descoberto ser de brinquedo.
Os dois correram para um carro, onde outro comparsa esperava para fazer a fuga. Essa não foi a primeira vez que Roggerio e sua família foram vítimas, ele já havia sido agredido por criminosos e chegou a ter a filha ameaçada.
Nas outras vezes ele chamou a polícia de imediato, mas dessa vez ele decidiu agir com as próprias mãos.
Pegou uma arma de fogo que havia na loja, perseguiu os criminosos e disparou quatro tiros contra o carro em que estavam.
Um foi atingido na perna e o outro morreu atrás do carro, o terceiro tentou fugir, mas morreu após cair no chão e ser agredido pelo joalheiro, que chamou a polícia em seguida.
O caso aconteceu na cidade italiana de Grinzane Cavour, em 2021, mas chegou a um desfecho nesta semana.
Após um longo e polêmico processo, a Justiça italiana condenou o joalheiro de 72 anos a 14 anos e 9 meses de prisão.
Além da prisão, ele precisará pagar 780 mil euros para a família dos bandidos que morreram, o equivalente a R$4,5 milhões.
Essa pena foi reduzida, já que a primeira instância havia determinado que o idoso precisaria ficar 17 anos atrás das grades:
"Acabou. Estou passando esses últimos minutos com minha família antes de me apresentar para cumprir minha pena de prisão. Os juízes decidiram me condenar a 14 anos e 9 meses de prisão, o que equivale, na prática, a uma prisão perpétua”, afirmou após a decisão.
A tese de legítima defesa foi descartada pelas autoridades, segundo as quais ele não poderia mais reagir a partir do momento que eles deixaram a loja com as mercadorias.
O caso tem causado polêmica no país. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni disse que vai incluir uma regra em seu projeto anti-crime para acabar com as indenizações para criminosos:
“Me agride. Me defendo. E eu deveria ressarcir você? Não é justo. O Estado está do lado das pessoas de bem. Não dos criminosos.”
Elon Musk também disse que "isso é uma loucura! O juiz e o promotor neste caso são os que merecem essa condenação".
O caso tem sido criticado como uma amostra da impunidade na Justiça italiana, com acusações de que a vítima foi punida por se defender.
No Brasil, a visão que a população tem da Justiça não é muito diferente. Uma pesquisa Quaest deixou claro o senso de impunidade no país.
Cerca de 86% dos entrevistados concordaram que a polícia prende os criminosos, mas eles logo são liberados pela Justiça.
O levantamento também mostra que apenas 11% dos brasileiros não concordam com essa afirmação.
A sensação de impunidade ajuda a criar um cenário favorável ao crescimento do crime. A Brasil Paralelo investigou a fundo a situação atual do país com Entre Lobos 2016.
A produção está sendo atualizada em um lançamento que estreia no dia 30 de julho, às 20 horas.
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