Você nunca lerá um livro escrito por Antonio Gramsci, mas será impactado por suas ideias. Isso porque o pensamento do autor ganhou uma grande divulgação; As suas obras mais conhecidas são na verdade panfletos e textos soltos escritos enquanto ele estava preso.
A sua prisão aconteceu enquanto ele tinha 35 anos. Naquele tempo, a Itália era governada pelo partido fascista e Gramsci era um deputado de oposição ao regime. Ele foi preso em 1928 e ficou na cadeia até poucos dias antes da sua morte, em abril de 1937.
No Brasil, ele influenciou vários autores. Segundo Olavo de Carvalho, durante a Ditadura Militar, a esquerda brasileira identificou que não seria possível vencer o governo na luta armada e encontrou nas ideias de Gramsci a inspiração para travar a luta pelo poder no campo da cultura.
Assim, intelectuais buscaram influenciar as músicas, a literatura, a arte e diversos outros setores com ideias marxistas, executando a chamada Revolução Cultural.
Essa influência chegou a intelectuais como Paulo Freire, o terceiro autor mais citado no Brasil e o brasileiro mais referenciado no mundo.
Paulo Freire faz referências diretas a Antonio Gramsci em cinco obras principais:
- em Pedagogia da Esperança, ele aponta o filósofo italiano como uma de suas grandes influências teóricas;
- em Pedagogia: Diálogo e Conflito, declara abertamente seu fascínio pelo "caminho gramsciano" e debate a construção da contra-hegemonia;
- em A Importância do Ato de Ler, traz citações literais dos Cadernos do Cárcere para defender a necessidade do esforço intelectual e a ação contra-hegemônica;
- em Por uma Pedagogia da Pergunta, dialoga extensamente sobre conceitos gramscianos como o senso comum e o papel do intelectual na sociedade;
- em Medo e Ousadia, Freire menciona a leitura e o estudo rigoroso de textos de Gramsci junto aos seus alunos.
A ideia de um marxismo cultural não é consenso
O termo “marxismo cultural” não é um conceito pacífico. Pesquisadoras como Rita Coutinho e Luciana Aliaga criticam diretamente o uso do termo “marxismo cultural” ou “gramscismo” como categoria explicativa.
Durante o lançamento de um livro dedicado ao pensador italiano, elas classificaram a popularização do termo na internet como uma “distorção bárbara” e instrumentalizada politicamente.
Segundo essas pesquisadoras, o conceito teria sido apropriado por setores da direita conservadora que, em muitos casos, não dialogam com os textos originais de Gramsci.
Para elas, essa leitura desconecta o autor de sua tradição marxista e transforma sua teoria em uma narrativa simplificada de “guerra cultural”, algo que não corresponderia ao que está formulado nos Cadernos do Cárcere.
Posição que é contestada pelo doutor em antropologia social, Flávio Gordon. Em uma palestra, ele sustentou que a hegemonia cultural da esquerda não é uma invenção conspiratória da direita, mas um fenômeno histórico reconhecido por intelectuais do próprio campo progressista.
Ele cita, por exemplo, textos de Roberto Schwarz, nos anos 1970, e declarações de Vladimir Safatle, que teriam reconhecido a presença predominante da esquerda na produção intelectual, no mercado editorial e na música de protesto, inclusive durante o regime militar.






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