Segurança pública5 min de leitura

Cláudio Castro detalha megaoperação em podcast: “A polícia não acorda para matar”

Governador do Rio defende a Operação Contenção, critica a imprensa e diz que não pedirá desculpas por enfrentar o crime organizado.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Claudio Castro
Fonte da imagem: Reprodução

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A conversa entre Rodrigo Vilela e o governador Cláudio Castro começou com tom direto.

Visivelmente à vontade no estúdio, o governador não evitou o tema mais comentado das últimas semanas: a Operação Contenção, que resultou na morte de integrantes do Comando Vermelho e reacendeu o debate sobre a atuação policial nas favelas do Rio de Janeiro.

Gravado para o podcast Inteligência Ltda., o episódio abordou as ações de segurança pública no estado e as críticas à cobertura da imprensa.

Também tratou das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre operações em comunidades e do Projeto Sentinela, que integra tecnologia, câmeras e inteligência artificial no monitoramento de áreas de risco.

Ao longo da entrevista, Castro também falou sobre a relação com o governo federal, as comparações com o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, a influência da fé em sua trajetória pessoal e os desafios da recuperação institucional do Rio.

“A polícia não acorda de manhã para matar. Acorda para proteger. E eu não vou pedir desculpas por enfrentar o crime organizado.”

A declaração marcou o tom da conversa, que percorreu temas como segurança, autonomia do Estado e responsabilidade pública.

Castro explicou que a operação não foi improvisada, mas fruto de planejamento de meses, com base em inteligência e integração entre as forças estaduais.

“Foi uma ação dentro da lei. Não teve improviso, não teve descontrole. Quem chama isso de chacina está do lado dos bandidos. O Estado precisa retomar o território que o medo tomou.”
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A guerra nas favelas e o papel do Estado

Castro descreveu a Operação Contenção como um divisor de águas na política de segurança do Rio. Disse que o objetivo não era apenas prender ou matar criminosos, mas restabelecer o controle estatal sobre regiões dominadas por facções.

De acordo com o governador, o Estado vem recuperando gradualmente áreas antes marcadas por barricadas e ausência policial.

“O que a gente está fazendo é tirar o poder paralelo de dentro da casa das pessoas. É o mínimo que o cidadão merece: poder sair pra trabalhar sem pedir autorização a bandido.”

Castro afirmou que combater o crime não é violência estatal, mas garantia de liberdade.

“Violência é o domínio do tráfico. O que o Estado faz é devolver a liberdade.”

Reconheceu os riscos, mas defendeu a firmeza da ação:

“Se a gente recuar, o crime avança. E quando o Estado avança, o bandido recua. É simples assim.”

A imprensa e a disputa pela narrativa

Um dos pontos centrais da entrevista foi o embate com a mídia. Castro acusou parte da imprensa de distorcer fatos e transformar criminosos em vítimas.

“Tem jornalista que dá mais espaço pro bandido do que pro policial morto. A elite aprendeu a achar normal o poder paralelo.”

Ele criticou o que considera uma abordagem ideológica sobre o Rio, afirmando que o Estado é tratado como vilão mesmo quando age dentro da lei.

“Não dá pra achar que o policial é o inimigo. Quem defende o policial não é a direita ou a esquerda, é o cidadão de bem. Eu não governo com medo de manchete.”

Castro afirmou que certas coberturas “escolhem lados” e que há quem prefira ver o Estado enfraquecido.

“Tem gente que fica confortável vendo o Estado de joelhos. Eu não vou aceitar isso. A polícia é o braço da lei, não o inimigo do povo.”

Ele afirma que essa narrativa cria uma percepção falsa sobre o Rio:

“O que o carioca vive no dia a dia é o oposto do que aparece nas manchetes. Quando a polícia entra, muita gente agradece, porque volta a ter paz.”

Autonomia e enfrentamento institucional

Outro eixo da entrevista foi o embate com o STF. Castro afirmou que decisões recentes da Corte, que restringem operações em comunidades, limitaram a capacidade do Estado de agir.

“O STF está virando uma espécie de gestor do Rio. É fácil mandar suspender operação lá de Brasília, mas quem enfrenta o fuzil aqui é o policial.”

O governador defendeu a autonomia dos estados em matéria de segurança pública e criticou a centralização judicial.

“Tem muita gente que fala de direitos humanos sem nunca ter pisado numa favela. Eu tenho que responder pelas vidas dos meus policiais e dos inocentes. Quem vive aqui sabe o que está em jogo.”

Castro também relatou dificuldades de cooperação com o governo federal. Disse que o Fundo Nacional de Segurança Pública tem sido retido e que o Rio arca sozinho com grande parte das despesas.

“O Rio não precisa de discurso, precisa de meios. O governo federal precisa parar de olhar pro Estado como problema e passar a tratar como parte da solução.”

Tecnologia, inteligência e o Projeto Sentinela

Quando o tema passou ao futuro da segurança, Castro apresentou o Projeto Sentinela, uma das apostas centrais de sua gestão. O programa integra o uso de câmeras corporais, drones e inteligência artificial para rastrear movimentações e antecipar ocorrências.

“O crime se digitalizou. O Estado não pode continuar analógico.”

Ele afirma que o sistema permitirá o monitoramento em tempo real de áreas críticas e o cruzamento de dados entre polícias e secretarias.

“Estamos criando uma estrutura que permite agir antes que o crime aconteça. É o olhar do Estado voltando para onde foi tirado.”

O governador destacou que a recuperação fiscal do Rio permitiu investir em infraestrutura e reaparelhamento.

“Hoje temos o maior investimento em segurança dos últimos vinte anos. Isso não é marketing, é prioridade.”

Ele também mencionou a formação de novos policiais e a modernização de viaturas e equipamentos.

“O policial precisa de condições pra agir com técnica, não com improviso. Isso salva vidas.”
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Comparações com Nayib Bukele

Questionado sobre comparações com Nayib Bukele, presidente de El Salvador, Castro disse admirar sua firmeza, mas rejeitou cópias.

“Eu admiro o enfrentamento sem hipocrisia, mas o Brasil tem outro contexto. Aqui não é ditadura, é Estado de Direito.”

Defendeu “firmeza dentro da legalidade” e afirmou que o Rio precisa vencer o medo sem perder o equilíbrio.

“A diferença entre coragem e arbitrariedade é a lei. A gente tem que ser duro, mas justo.”

Castro também rejeitou o rótulo de “bolsonarista”. Além disso, disse que o apoio popular o motiva.

“Eu não sou bolsonarista, nem lulista. Eu sou fluminense. Meu foco é o Rio, não Brasília.Eu ando nas ruas e as pessoas me param pra agradecer por ter voltado a ver a polícia na porta da escola. Isso é o que importa.”

O peso da fé e a segunda chance

Em um dos trechos mais pessoais, Castro falou sobre o acidente de carro de 2022, quando quase morreu.

“Aprendi que Deus dá segunda chance pra quem tem propósito. Eu devia ter morrido naquele dia. Quando abri o olho e vi que estava vivo, entendi que minha missão ainda não tinha acabado.”

Ele disse que a fé é o alicerce das decisões de governo:

“Eu oro antes de decidir. Isso não é religiosidade, é consciência. Eu sei que o que faço impacta vidas.”

Também lembrou o passado como músico gospel e a origem humilde:

“Eu vim de baixo, vivi o que o povo vive. Isso me ajuda a não me descolar da realidade. Fé não é ausência de medo. É seguir em frente mesmo com medo.”

Nos minutos finais, o tom mudou. Castro disse que o maior inimigo do Rio não é o crime, mas o desencanto coletivo.

“O Rio não é um lugar de caos. É um povo que acredita. Só precisa parar de ouvir quem diz que a gente está condenado.”

O governador associou o enfrentamento à violência a uma luta pela alma da cidade.

“O medo virou uma prisão invisível. A gente precisa romper isso. Quando o Estado entra, o medo sai.”

Encerrando a entrevista, deixou um apelo direto: “Deixem o Rio de Janeiro vencer.”

Durante a entrevista, Cláudio Castro falou sobre a Operação Contenção, defendeu a atuação das forças de segurança e rebateu críticas à condução das ações no Rio de Janeiro.

Comentou também a relação com o Supremo Tribunal Federal, a cooperação com o governo federal, e apresentou detalhes do Projeto Sentinela, voltado ao uso de tecnologia e inteligência policial.

O governador ainda tratou de temas como autonomia institucional, fé pessoal e desafios da gestão pública.

Ao encerrar, reafirmou o compromisso de manter o enfrentamento ao crime organizado dentro da lei e destacou que a prioridade do governo é garantir segurança e estabilidade à população fluminense.

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