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Bento XVI e o Carnaval: “Há também tempo para rir”

Livro do papa Bento XVI questiona os cristãos sobre o carnaval: "Em relação ao Carnaval, não somos talvez um pouco esquizofrênicos?”

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Redação Brasil Paralelo
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Papa Bento XVI disse que a origem do Carnaval é pagã.
Fonte da imagem: Vatican News

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Na Roma antiga, as celebrações em honra a Baco (Dioniso, para os gregos) eram conhecidas pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas e pelos prazeres carnais.

Além disso, festividades como a Saturnália e a Lupercália, celebradas entre dezembro e fevereiro, também eram marcadas pela suspensão das normas sociais. Esses eventos proporcionam momentos de diversão e devassidão para os participantes.

Com o advento do Cristianismo durante a Idade Média, essas festividades foram reorganizadas e passaram a ser celebradas nos dias que antecedem a Quaresma, período de 40 dias que precede a Páscoa.

O Carnaval é uma festa pagã

No livro “Speranza nel grano di senape”, o papa Bento XVI aborda a visão cristã do Carnaval em uma de suas meditações. Ele inicia com uma pergunta ao leitor:

"Em relação ao Carnaval, não somos talvez um pouco esquizofrênicos?"

E prossegue afirmando sobre a origem das festas carnavalescas:

“A origem do Carnaval é, sem dúvida, pagã: juntos culto da fecundidade e evocação dos espíritos vãos. A Igreja teve que se levantar contra esta ideia e falar de exorcismo que afasta os demônios, os quais fazem dos homens violentos e infelizes”.

O papa destaca que os cristãos não lutam contra a alegria, mas sim em seu favor. 

“Por isto, nós cristãos não lutamos contra, mas a favor da alegria. A luta contra os demônios e o alegrar-se com quem é feliz são estreitamente unidos: o cristão não deve ser esquizofrênico porque a nossa fé é verdadeiramente humana"

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Leia o texto na íntegra abaixo:

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Meditação do papa Bento XVI sobre o Carnaval

"Em relação ao Carnaval, não somos talvez um pouco esquizofrênicos? De uma parte, dizemos com boa vontade que o Carnaval tem o direito de cidadania mesmo em terra católica; de outra parte, então, evitamos de espiritual e teologicamente considerá-lo.

Faz, portanto, parte daquelas coisas que cristianamente não se podem aceitar, mas que humanamente não podemos impedir? Então, seria lícito perguntar-se: em qual sentido o cristianismo é verdadeiramente humano?

A origem do Carnaval é, sem dúvida, pagã: juntos culto da fecundidade e evocação dos espíritos vãos. A Igreja teve que se levantar contra esta ideia é falar de exorcismo que afasta os demônios, os quais fazem dos homens violentos e infelizes.

Mas depois o exorcismo traz qualquer coisa de novo, completamente inesperado, uma serenidade demonizada: o Carnaval foi colocado em relação com a Quarta-feira de Cinzas, como tempo de alegria antes do tempo da penitência, como um tempo de serena auto-ironia, que diz alegremente a verdade que pode ser muito estreitamente enlaçada com aquela do pregador da penitência.

De tal modo, o Carnaval, uma vez demonizado, na linha do pregador veterotestamentário pode ensinar-nos: ‘Há um tempo para chorar e um tempo para rir’. (Eclesiastes 3, 4).

Também para o cristão não é sempre, ao mesmo tempo, tempo de penitência. Há também tempo para rir. O exorcismo cristão destruiu as máscaras demoníacas, fazendo explodir um sorriso sincero e livre.

Sabemos todos o quanto o Carnaval seja hoje não raramente distante deste clima e, em qualquer medida, tenha se tornado algo que explora a tentação do homem. O diretor disso é Mammon (um deus pagão) e os seus aliados. Por isto, nós cristãos não lutamos contra, mas a favor da alegria. A luta contra os demônios e o alegrar-se com quem é feliz são estreitamente unidos: o cristão não deve ser esquizofrênico porque a nossa fé é verdadeiramente humana".

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