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Bebê passou a vida entre hospitais, Justiça e pedidos ao plano de saúde

Família diz que precisou acionar a Justiça várias vezes. Plano afirma que não negou cobertura nem interrompeu a assistência.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Beneficência Portuguesa
Fonte da imagem: Beneficência Portuguesa

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Mariah Victoria Soares Galvão viveu quase toda a sua curta vida dentro de hospitais.

Ela nasceu em abril de 2025 com uma cardiopatia congênita grave. Pouco depois, os médicos também identificaram sinais de atresia das vias biliares, uma doença que compromete o fígado e pode exigir transplante.

Quando Mariah tinha pouco mais de um mês, a família começou uma disputa com a Unimed Poços de Caldas para garantir transferências hospitalares e o custeio do tratamento.

A menina já era acompanhada na Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Segundo documentos citados pelo Metrópoles, médicos apontavam que o caso exigia avaliação multidisciplinar urgente e defendiam a transferência para o hospital.

A família foi à Justiça

Decisões anexadas ao processo determinaram que Mariah fosse levada para a Beneficência Portuguesa com transporte especializado, incluindo UTI móvel quando necessário.

Também houve ordem para custeio de despesas médicas, hospitalares e honorários.

Em um dos momentos, a Justiça fixou multa diária de R$10 mil em caso de descumprimento. Em outro, determinou que um oficial de Justiça acompanhasse a transferência.

Mesmo assim, o conflito continuou.

Mariah passou por cirurgia para tratar a doença no fígado e, depois, teve indicação para transplante hepático. Nos meses seguintes, novas internações levaram a novos pedidos judiciais.

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A última emergência aconteceu na noite de 25 de maio

Mariah deu entrada em um hospital de Bragança Paulista com cianose central, sinal ligado à baixa oxigenação, e desconforto respiratório.

Como a unidade não tinha cardiologia pediátrica, a médica pediu transferência para a Beneficência Portuguesa em ambulância UTI móvel.

Segundo a cronologia apresentada à Justiça, mais de dez horas se passaram sem que a transferência acontecesse. A mãe afirma que pegou R$6 mil emprestados para contratar uma ambulância particular.

Mariah chegou ao hospital onde era acompanhada, mas morreu dias depois, com 1 ano de idade.

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Plano de saúde afirma que cobertura não foi negada

Os documentos apontam decisões judiciais sobre transferência e custeio. Eles, porém, não estabelecem relação de causa e efeito entre os impasses e a morte da criança.

A família entrou com processo para responsabilizar a operadora, e um inquérito criminal foi aberto. A existência da investigação não significa responsabilização da Unimed ou de seus representantes.

Em nota, a Unimed Poços de Caldas afirmou que acompanhou Mariah desde a gestação e que não houve negativa de cobertura ou interrupção da assistência.

A operadora diz que autorizou e custeou atendimentos, internações, transferências e procedimentos indicados pelas equipes médicas.

Sobre a última internação, afirmou que acionou transporte especializado e que a remoção dependia de confirmação de vaga e aceitação da Beneficência Portuguesa.

A Unimed também disse que ainda analisará o pedido de reembolso da ambulância particular e negou pendências financeiras com a equipe médica.

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