A anistia para os condenados pelos protestos de 8 de janeiro de 2023 é uma das principais pautas defendidas pela oposição ao governo Lula.
Parlamentares do PL afirmam que conseguiram o apoio de 264 deputados para que a medida entre em regime de urgência.
Assim o projeto iria diretamente para o plenário, sem a necessidade de ser aprovado por comissões.
A oposição espera que o presidente da Câmara Hugo Motta coloque a proposta em pauta para ser votada no plenário.
Segundo fontes do G1, Motta indicou que pode começar a pautar projetos importantes da oposição.
Um dos exemplos é a PEC das Prerrogativas, que pode aumentar as proteções de parlamentares contra investigações judiciais.
Segundo a matéria, esse sinal aumenta a expectativa de que o projeto de anistia seja pautado após o julgamento de Bolsonaro, que começa no dia 2 de setembro.
Figuras tanto na esquerda quanto na direita têm feito comparações entre o atual projeto de lei atual e a anistia de 1979.
A anistia pode ser considerada o início da abertura política e da pacificação nacional após um longo período de violência política entre guerrilheiros e militares.
Entenda o processo de anistia em 1979 e a relação disso com o debate político atual, com o especial Anistia Já, que vai ao ar hoje, dia 28 de agosto, às 20:00 horas.
Assista completo no canal da Brasil Paralelo no YouTube.
A palavra “anistia” vem do grego amnestía, que significa esquecimento. O conceito remonta à Antiga Atenas, quando Sólon perdoou crimes para evitar uma guerra civil.
Desde então, a ideia de anistia tem sido usada como instrumento de pacificação.
A anistia também se fez presente em momentos recentes da história, como nos movimentos separatistas da Espanha.
No Brasil, episódios de perdão institucional datam do período colonial, como para a maioria dos condenados pela Inconfidência Mineira.
Também aconteceram políticas semelhantes durante rebeliões no império, como na Balaiada, Cabanagem e Guerra dos Farrapos.
Um exemplo marcante aconteceu em 1945, quando Getúlio Vargas concedeu anistia a 563 presos do Estado Novo, incluindo Jorge Amado.
No entanto, a anistia de 1979 é a mais emblemática na história do país. A Lei 6.683 foi assinada em 28 de agosto de 1979, perdoando todos os que cometeram crimes políticos ou conexos, incluindo:
Nomes como Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes voltaram ao país após a decisão.
A anistia também abriu caminho para que figuras como José Dirceu e José Genoíno passassem a atuar legalmente na política, sendo importantes para a criação do PT em 1980.
Segundo o Jornal O Estado de São Paulo, a anistia de 1979 perdoou:
A tentativa de avançar um projeto de anistia começou em 1972, conduzida por membros do MDB.
Em 1978 foi criado o Comitê Brasileiro pela Anistia, uma organização da sociedade civil dedicada a buscar aumentar a pressão pela anistia dentro e fora do país.
O grupo foi o principal organizador de protestos, manifestações e demonstrações públicas de apoio à anistia ampla geral e irrestrita.
Naquela época, uma das lideranças que participava da campanha pela anistia era o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula organizava greves no ABC paulista, preparadas em mesas de metal nos botecos da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, sede do sindicato dos metalúrgicos.
Alguns colegas anotavam o que ele dizia e elaboravam panfletos que chegavam até os funcionários da Mercedes-Benz, Volkswagen e Scania, escondidos nas meias.
Era comum usar o tradicional “meião” de futebol com a desculpa que fazia muito frio no ABC paulista às 6 horas da manhã ou tinha “pelada” depois do expediente.
Mensagens também eram escritas nas paredes internas dos banheiros das montadoras de carros e caminhões.
No dia 28 de junho de 1979, o presidente Figueiredo enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Anistia.
O projeto tramitou de 28 de junho até o dia 22 de agosto de 1979, quando foi aprovado, segundo registros da Câmara dos Deputados.
O que passou foi um projeto repleto de alterações, aprovado após uma sessão tumultuada no Congresso Nacional.
A Lei 6.683 mudou o Brasil, sobretudo, porque abriu possibilidades de convívio entre as forças políticas do país.
Um dos trechos que o presidente João Baptista Figueiredo rabiscou em caneta azul quando o documento chegou à sua mesa, diz:
“A anistia reabre o campo de ação política, reúne e congrega para a construção do futuro. Vem na hora certa”.
De fato, o projeto cumpriu essa promessa, sendo uma peça fundamental para o processo de redemocratização do país.
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