Criminosos levaram grande parte do Tesouro de Villena, coleção comparada aos achados das tumbas reais de Micenas, na Grécia.

Criminosos levaram grande parte do Tesouro de Villena, uma das coleções de ouro mais importantes da Idade do Bronze na Europa. Polícia investiga se um alarme em outro local da cidade foi usado como distração.
Quatro minutos. Foi esse o tempo que os ladrões levaram para roubar grande parte do Tesouro de Villena, coleção com 66 peças de ouro, prata, âmbar e ferro, produzidas há cerca de 3 mil anos.
Um tesouro comparado às tumbas de Micenas. O conjunto reúne quase dez quilos de ouro. Inclui 28 braceletes, 11 tigelas e recipientes em formato de garrafa.
O próprio museu compara a coleção aos tesouros das tumbas reais de Micenas, na Grécia, um dos achados mais famosos da arqueologia europeia.
Duas peças têm um detalhe raro: são feitas com ferro de origem meteorítica, material vindo de meteoritos que atingiram a Terra. Segundo a Prefeitura de Villena, são os únicos objetos desse tipo já identificados em toda a Península Ibérica.
Quatro minutos antes do roubo, às 5h16, outro alarme disparou em um centro esportivo da cidade.
A polícia investiga se esse primeiro alarme foi provocado de propósito, para atrair as patrulhas para longe do museu. Se a suspeita se confirmar, o crime foi planejado com detalhe, por pessoas que conheciam os protocolos de segurança da cidade.
O prefeito de Villena, Fulgencio Cerdán, confirmou que os criminosos levaram a maior parte das peças originais expostas.
Entre o pouco que ficou para trás estão três recipientes de prata, um bracelete e parte dos adornos de um bastão. Uma das peças teria caído durante a fuga.
Ele foi descoberto em dezembro de 1963 pelo arqueólogo espanhol José María Soler, escondido dentro de um recipiente enterrado no leito de uma rambla, um curso de água temporário comum na região de Alicante.
Os pesquisadores ainda discutem por que ele foi escondido ali. Uma hipótese é que as peças tenham sido enterradas para proteção, durante um período de conflito. Outra é que tenham sido uma oferenda religiosa.
Mais do que o valor do metal, o tesouro carrega um valor histórico que os pesquisadores consideram impossível de recuperar.
As peças ajudam a entender técnicas de produção e relações comerciais de sociedades que viveram na Península Ibérica durante a Idade do Bronze.
O maior temor das autoridades é que os objetos sejam derretidos ou desmontados, uma forma comum de apagar a origem de peças roubadas e dificultar a identificação pela polícia.
A Guarda Civil espanhola agora corre contra o tempo, tentando localizar os criminosos antes que as peças deixem o país ou sejam destruídas.
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