Segurança pública5 min de leitura

Facção Criminosa que rouba remédios contra câncer é alvo de operação no RJ

Segundo a polícia, remédios roubados chegavam a hospitais públicos e privados por meio de licitações.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Os agentes cumpriram dezenas de mandados de busca e apreensão e de prisão contra integrantes e lideranças do grupo
Fonte da imagem: DRFC-CAP

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Foi uma isca eletrônica escondida entre medicamentos que deu início ao desmonte de um esquema muito maior do que parecia.

Dias depois de uma carga avaliada em R$575 mil ser roubada, um rastreador levou a polícia até o Aeroporto Internacional de Brasília.

Lá, imagens apontaram o comerciante Umberto Xavier de Lima, de 70 anos, como responsável por embarcar a mercadoria com destino ao Distrito Federal.

Entre os itens roubados estavam caixas de Rinvoq, remédio para artrite psoriásica grave que custa cerca de R$8 mil a caixa.

O que parecia um caso pontual de receptação acabou revelando uma organização interestadual dedicada a roubar medicamentos contra câncer e usados por pacientes que passaram por transplantes.

Operação da polícia mapeou como a organização agia

Xavier de Lima foi preso nesta terça-feira (21), durante a Operação Metástase, que prendeu cinco pessoas.

Segundo a investigação, a quadrilha participou de pelo menos 20 roubos de carga nos últimos seis meses e movimentou mais de R$33 milhões entre 2025 e 2026.

O esquema funcionava em etapas bem definidas. As cargas eram roubadas por criminosos armados com fuzis e depois levadas para o Complexo da Maré, na zona norte do Rio, área sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP).

A facção fornecia armas e proteção ao grupo responsável pelos assaltos, em troca de participação no esquema.

Dali, os medicamentos passavam por um segundo núcleo, responsável por armazenar, dividir e redistribuir a carga.

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Facção utilizava cerca de 25 empresas de fachada

Para disfarçar a origem dos produtos, a organização usava cerca de 25 empresas de fachada espalhadas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, além de transportadoras, entregadores e laranjas.

Parte do grupo também se dedicava a aliciar funcionários de transportadoras, obtendo informações privilegiadas sobre rotas e cargas.

O destino final dos remédios roubados incluía tanto hospitais privados quanto, segundo a polícia, a própria rede pública de saúde, através de licitações na modalidade de tomada de preços, com valores abaixo do mercado.

Além do Complexo da Maré e da Baixada Fluminense, houve diligências em São Paulo, na capital e nas cidades de Santo André e São Caetano do Sul, além de Goiânia e Belém.

A Justiça também determinou o bloqueio de R$30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis e veículos de luxo ligados ao grupo.

Em Santo André, na casa de um dos presos, os policiais encontraram um Jaguar carregado de medicamentos oncológicos.

Segundo a polícia, o líder do esquema é apontado como um homem com longo histórico de envolvimento em roubos de carga, responsável por encomendar os assaltos executados pelo grupo. As investigações continuam para identificar outros participantes da rede.

Casos como esse mostram como o crime organizado no Brasil se infiltra em cada vez mais setores, incluindo a saúde. E essa é só uma fração de um cenário muito maior.

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