Segurança pública5 min de leitura

O fim da era do assalto? Brasil registra queda histórica em todos os indicadores de roubo

Enquanto os assaltos recuam, estelionatos e fraudes digitais avançam como principal crime patrimonial do Brasil.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Roubo de celular
Fonte da imagem: Reprodução

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O medo de andar nas ruas e ser abordado por um criminoso armado é um trauma compartilhado por milhões de brasileiros.

No entanto, os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 trazem uma notícia positiva sobre o tema. Houve uma redução em todos os indicadores de roubo no país.

Em 2025, o Brasil registrou queda de 18,3% no total de roubos em comparação ao ano anterior. A redução foi ainda mais expressiva nas abordagens diretas a pedestres, que caíram 23,4%.

A tendência de queda se repetiu em praticamente todos os cenários avaliados pelo levantamento.

Os roubos de veículos recuaram 20,6%, com queda registrada em 26 das 27 unidades da federação.

A única exceção foi o Rio de Janeiro, que teve alta de 19,4% nesse tipo de crime.

Também houve redução nos roubos a residências (-19,9%), a estabelecimentos comerciais (-18,3%), de cargas (-19,8%) e a instituições financeiras (-35,5%).

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O caso dos celulares

O aparelho celular, um dos principais alvos da criminalidade urbana, ajuda a explicar parte dessa mudança.

Enquanto os furtos de celular, quando o aparelho é tomado sem violência ou sem que a vítima perceba, ficaram praticamente estáveis (+0,9%), os roubos de celular caíram 18,6% em 2025.

O Anuário aponta três hipóteses principais para essa retração:

A primeira é o risco maior envolvido no roubo, já que o crime exige contato direto e uso de violência, o que aumenta a chance de o criminoso ser identificado ou flagrado por câmeras de segurança.

A segunda é a redução do ganho financeiro do crime: programas como o "Celular Seguro" permitem o bloqueio rápido de contas bancárias, frustrando o objetivo de criminosos que roubavam aparelhos desbloqueados justamente para acessar aplicativos financeiros das vítimas.

A terceira hipótese está ligada a avanços tecnológicos dos próprios fabricantes, como a Proteção de Dispositivo Roubado da Apple e o bloqueio automático da Samsung, que dificultam a revenda de aparelhos roubados no mercado ilegal.

Uma nova forma de roubos

Isso não significa que o crime patrimonial esteja diminuindo como um todo. Ele está mudando de formato.

A queda expressiva nos roubos, que envolvem violência e grave ameaça, acontece ao mesmo tempo em que os estelionatos e fraudes digitais se consolidam como o principal crime contra o patrimônio no país, com crescimento acumulado de 429,8% desde 2018.

Os dados sugerem que o modelo clássico do assalto de rua vem perdendo espaço para facções que passaram a investir em golpes virtuais, um negócio de alta rentabilidade e baixo risco de punição.

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Estados investiram mais em segurança. A União não.

Vale lembrar que essa melhora nos indicadores de roubo acontece justamente num momento em que os estados ampliaram seus investimentos em segurança pública.

Segundo o mesmo Anuário, as unidades da federação aumentaram seus gastos em 6,2% em 2025, respondendo sozinhas por 80,5% de todo o gasto nacional na área.

Já o governo federal reduziu seus investimentos em 17,7%, e a segurança pública segue representando menos de 0,4% do orçamento federal há cinco anos consecutivos.

Esses números fazem parte de um cenário mais amplo do crime no Brasil, com raízes profundas e conexões entre diferentes tipos de criminalidade que vão muito além de qualquer indicador isolado.

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