Enquanto os estados aumentaram gastos em 6,2%, a fatia da União nunca passou de 0,4% do orçamento federal nos últimos cinco anos.

Em 2025, o Brasil gastou R$163,1 bilhões com segurança pública, o maior valor já registrado, com crescimento real de 2,1% em relação ao ano anterior.
Mas o dinheiro não veio de todo mundo igual. Os estados abriram os cofres para tentar segurar o avanço do crime. O governo federal, ao contrário, gastou menos.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram uma sobrecarga sobre os estados que aumentaram seus gastos em 6,2%, chegando a R$131,2 bilhões.
Na prática, os estados respondem sozinhos por cerca de 80,5% de todo o gasto do país com segurança.
Já a União encolheu seus gastos em 17,7%, caindo de R$21,9 bilhões em 2024 para R$18 bilhões em 2025. Os municípios também gastaram menos, com queda de 2,9%, fechando o ano em R$13,7 bilhões.
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O que explica essa queda federal? O Anuário pede cautela antes de interpretar isso como uma mudança de prioridade política e diz que o motivo é mais pontual: o fim de uma despesa extra.
Em 2024, o orçamento da União com Defesa Civil disparou 224,4%, por conta dos repasses emergenciais enviados ao Rio Grande do Sul após as enchentes históricas daquele ano.
Sem essa necessidade em 2025, os gastos federais com Defesa Civil caíram 33,7%, o que puxou para baixo o total gasto pela União e trouxe o número de volta ao patamar normal.
Mesmo com essa explicação pontual, o diagnóstico de fundo continua o mesmo. Em 2025, a segurança pública representou apenas 0,37% de todas as despesas da União. Nos últimos cinco anos, esse percentual nunca passou de 0,4% do orçamento federal.
Além de gastar pouco, o pouco que gasta fica concentrado. Do total executado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2025, 78,4% foram usados por apenas duas forças: a Polícia Federal, com R$10,4 bilhões (47,3%), e a Polícia Rodoviária Federal, com R$ 6,8 bilhões (31,1%).
Já o Fundo Nacional de Segurança Pública, principal ferramenta para financiar políticas de segurança nos estados, recebeu apenas 10,1% do total, R$2,2 bilhões.
Segundo o Anuário, o quadro de 2025 mostra um modelo de gastos sem coordenação entre os entes federativos, com a conta da segurança pública seguindo puxada quase inteiramente pelos estados.
O documento aponta que esse desequilíbrio, diante de um crime organizado cada vez mais integrado em nível nacional e internacional, reforça a urgência de propostas como a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), que busca obrigar a União a assumir papel mais ativo no comando e no financiamento da área.
Os números do Anuário mostram uma parte importante desse cenário. "Entre Lobos 2026" investiga o restante: as operações, as facções, as rotas do crime organizado que atravessam o país.
A maior produção já feita sobre segurança pública no Brasil reúne mais de 50 especialistas para revelar, pela primeira vez, o retrato completo do crime no país.
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