Segurança pública5 min de leitura

Brasil gasta quase R$280 milhões com chefes de facção todos os anos

Levantamento aponta 461 presos ligados a 37 organizações criminosas em unidades federais de segurança máxima.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Penitenciária Federal
Fonte da imagem: G1

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Manter presos de alta periculosidade e chefes de facções em penitenciárias federais de segurança máxima tem custado cada vez mais aos cofres públicos.

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgados pelo Metrópoles mostram que as despesas do Sistema Penitenciário Federal chegaram a R$279,3 milhões em 2025.

O sistema é formado por cinco presídios federais: Brasília, Catanduvas, Campo Grande, Mossoró e Porto Velho. Essas unidades recebem presos considerados de alto risco, entre eles integrantes e lideranças de organizações criminosas.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), atualmente há 461 detentos com vínculo identificado com facções criminosas no sistema. Desse total, 159 exercem funções de liderança regional ou nacional.

A lista inclui integrantes de 37 organizações criminosas.

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O custo por preso e o sigilo sobre as facções

O custo médio mensal informado por detento também subiu. Em 2025, chegou a R$46.462,44, maior valor da série histórica iniciada em 2020.

Nos dois primeiros meses de 2026, o custo médio por preso ficou em R$46.208,88, valor usado como projeção para comparar o ritmo de gastos com anos anteriores.

A escalada acompanha o aumento das despesas totais do sistema. Apenas em janeiro e fevereiro de 2026, as penitenciárias federais já haviam utilizado R$51,9 milhões.

A Senappen afirma que as unidades adotam separação formal dos presos por facção, seguindo critérios da Lei de Execução Penal e protocolos de segurança.

Segundo o órgão, nunca houve homicídios ou rebeliões motivadas por conflitos entre facções dentro dos presídios federais de segurança máxima.

A pasta atribui esse resultado à distribuição e segregação dos presos conforme o grupo criminoso ao qual pertencem.

Parte das informações solicitadas, como dados separados por facção, protocolos específicos de inteligência e registros sobre conflitos entre organizações criminosas, não foi divulgada.

A Senappen alegou que esse material tem caráter restrito por envolver segurança pública e inteligência penitenciária.

Números como esses mostram apenas a superfície de um sistema muito mais complexo, com regra e disputas  que raramente chegam ao público.

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