Torre foi concluída após 100 anos da morte de Gaudí e foi erguida por gerações de arquitetos que precisaram reconstruir parte dos planos.

Todo visitante da Sagrada Família é obrigado a olhar para cima quando chega diante da basílica em Barcelona.
Durante mais de um século, esses olhares encontraram torres, pedras, andaimes e uma construção que parecia nunca terminar. Nesta quarta-feira, 10, o projeto alcançou o seu ponto mais alto.
O papa Leão XIV abençoou e inaugurou a Torre de Jesus Cristo, a estrutura central da Sagrada Família. Com 172,5 metros de altura, a basílica é a igreja mais alta do mundo.
A cerimônia teve missa, bênção, espetáculo de luzes, show de drone e fogos. O ato marcou o encerramento da principal etapa estrutural de uma construção iniciada há 144 anos.
Ainda restam trabalhos internos e a conclusão de partes da basílica.
A inauguração ocorreu no centenário da morte de Antoni Gaudí, arquiteto que transformou a igreja em um dos monumentos mais reconhecidos da arquitetura mundial.
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A Torre de Jesus Cristo é coroada por uma cruz de quatro braços feita com vidro e cerâmica branca. A peça reflete a luz do sol durante o dia e fica iluminada a noite.
Segundo a CNN, a cruz tem altura equivalente a um prédio de cinco andares e pesa cerca de 100 toneladas. Foi fabricada na Alemanha e enviada à Espanha em 14 partes de concreto e aço inoxidável.
Cada seção precisou ser içada por guindaste até uma oficina suspensa a 60 metros de altura, acima da nave central da basílica. Depois, recebeu acabamento em pedra, cerâmica e vitrais antes de ser erguida ao topo.

O desafio era manter a ideia original de Gaudí e usar a engenharia moderna para tornar possível aquilo que ele havia imaginado no fim do século XIX.
A construção da Sagrada Família começou em 1882. Menos de um ano depois, Gaudí assumiu o projeto e reformulou quase tudo.
Ele sabia que não viveria para ver a basílica pronta. A escala da obra, a riqueza de detalhes e o modelo de financiamento tornavam o prazo imprevisível.
Quando era questionado sobre a demora, Gaudí teria respondido: “Meu cliente não tem pressa.” O cliente, para ele, era Deus.
O arquiteto morreu em 1926. Dez anos depois, durante a Guerra Civil Espanhola, anarquistas incendiaram a cripta da igreja e destruíram parte de suas plantas e modelos de gesso.
A obra sobreviveu porque discípulos e colaboradores haviam registrado as ideias de Gaudí em desenhos, fotografias, textos e fragmentos. Com o tempo, arquitetos de diferentes gerações passaram a decifrar esse material.
A Sagrada Família se tornou, assim, uma construção feita por muitas mãos, mas guiada por uma mesma lógica visual: colunas que lembram árvores, torres que parecem crescer do chão e vitrais que transformam a luz em parte da arquitetura.
Durante a cerimônia, um show de drones recriou a imagem de Gaudí no céu com uma frase atribuída ao arquiteto: “Primeiro, o amor; segundo, a técnica”.


A Sagrada Família se tornou um símbolo de Barcelona e uma das atrações mais visitadas da Europa.
Em 2025, recebeu quase 5 milhões de visitantes. O turismo passou a ser uma das principais fontes de financiamento da obra, ao lado das doações.
Leão XIV foi o terceiro papa a visitar a basílica, depois de João Paulo II e Bento XVI. Em 2010, Bento XVI consagrou a igreja e a elevou à condição de basílica.
Na homilia, o papa afirmou que a cruz no topo do templo deve apontar para Cristo e não servir apenas como marca de altura ou grandeza arquitetônica.
A obra iniciada no século XIX ainda mobiliza engenheiros, artistas, fiéis, turistas e moradores de uma cidade inteira.
A torre inaugurada por Leão XIV ainda não encerrou todos os trabalhos, mas fecha a etapa mais visível de uma construção.
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