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Voto isolado: Fux fala em restrição desproporcional contra Bolsonaro

Ministro diz que não há provas de fuga e alerta para risco à liberdade de expressão.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Ministro Luiz Fux no plenário do STF, entre Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia
Fonte da imagem: Foto: Antonio Augusto/STF

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O ministro Luiz Fux divergiu da maioria da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Ele se posicionou contra as medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro. Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar.

Fux argumentou que a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal não apresentaram provas concretas de que Bolsonaro pretendia fugir do Brasil. Para ele, a imposição das medidas se baseou em suspeitas genéricas, sem respaldo objetivo.

“A amplitude das medidas impostas restringe desproporcionalmente direitos fundamentais, como a liberdade de ir e vir e a liberdade de expressão e comunicação”, escreveu o ministro.

Medidas são “abstratas” e criam precedente perigoso, diz Fux

Em seu voto, Fux alertou que não houve demonstração contemporânea, concreta e individualizada dos elementos que poderiam justificar as restrições.

Para ele, impedir preventivamente o uso das redes sociais ou a comunicação com diplomatas afronta a cláusula da liberdade de expressão.

O ministro também rejeitou a tese de que pressões externas poderiam influenciar o Supremo.

“Premissa de que poderia haver qualquer influência no julgamento da Ação Penal esbarra no fundamento básico de que o Poder Judiciário detém independência judicial.”

Fux ainda classificou como inadequado o argumento da PF de que a atuação internacional de Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, via governo Trump, configuraria obstrução da Justiça brasileira.

“Questões econômicas devem ser resolvidas nos âmbitos políticos e diplomáticos próprios”, escreveu o ministro.

Decisão de Moraes foi mantida pela maioria da Primeira Turma

Apesar da divergência, a maioria da Primeira Turma, formada por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia, manteve as restrições impostas a Bolsonaro.

Moraes havia argumentado que o ex-presidente liderou, com seu filho Eduardo, uma tentativa de influenciar o STF por meio de pressões internacionais, com apoio do governo dos EUA.

O relator alegou que Bolsonaro e seu filho buscaram interferência externa no julgamento da ação penal, o que configuraria ataque à soberania nacional e obstrução de Justiça.

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Tensão no STF e bastidor diplomático

Fux foi o último a votar, às 23h35, e foi poupado da retaliação internacional que atingiu outros ministros.

Na sexta-feira (18), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou o bloqueio de vistos de Alexandre de Moraes e de outros ministros do STF, por suposta violação à liberdade de expressão.

Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça ficaram de fora da medida.

Apesar da divergência de Luiz Fux, as medidas impostas a Jair Bolsonaro foram mantidas. O voto isolado não altera o curso do processo.

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