Mundo5 min de leitura

Trump acusa de “fake news” reportagem que minimiza os danos do ataque americano ao Irã

O presidente do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, enfatizou hoje que a operação contra as instalações nucleares do Irã ocorreu conforme o planejado.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Donald Trump
Fonte da imagem: Donald Trump - Foto: Tasos Katopodis/Getty Images

Receba notícias gratuitamente em seu email

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) afirmou nesta quarta-feira que os ataques lançados recentemente contra instalações nucleares do Irã causaram danos significativos e duradouros ao programa atômico do país persa.

Em comunicado oficial, a CIA destacou que a avaliação se baseia em “novas informações de uma fonte/método historicamente confiável e preciso”, as quais indicam que “várias instalações nucleares importantes iranianas foram destruídas” e que a reconstrução demandaria “anos”.

A declaração foi feita após os jornais da CNN e o The New York Times terem repercutido uma análise preliminar da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), ligada ao Pentágono. 

Esse documento, segundo a reportagem, sugere que os ataques americanos apenas atrasam o desenvolvimento nuclear do Irã por alguns meses, sem comprometer de forma estrutural o programa.

A Casa Branca reagiu com veemência à publicação, classificando a reportagem como “fake news”. 

O presidente Donald Trump reforçou a narrativa oficial, afirmando que as ações militares “obliteraram” a capacidade do Irã de desenvolver armas nucleares. 

Ele anunciou também que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, acompanhado de representantes militares, realizaria uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, às 9h (horário de Brasília), no Pentágono. “Será interessante e irrefutável”, antecipou Trump em postagem na rede Truth Social.

Pete Hegseth defende versão de Trump

A entrevista aconteceu e a CNN Internacional noticiou a fala de Hegseth:

“Por padrão, não avaliamos nossa própria lição de casa. A comunidade de inteligência avalia. Mas aqui está o que sabemos após os ataques e os ataques a Fordow: primeiro, que as armas foram construídas, testadas e carregadas corretamente. Segundo, as armas foram lançadas com velocidade e parâmetros adequados. Terceiro, todas as armas foram guiadas para seus alvos e pontos de mira pretendidos. Quarto, as armas funcionaram conforme o planejado, ou seja, explodiram. Sabemos disso por outros meios de inteligência que temos, que eram visíveis, fomos visivelmente capazes de vê-los. E sabemos que os jatos que as seguiam viram as primeiras armas funcionando.”, disse durante a entrevista.

Também nesta quarta-feira, a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, reiterou o posicionamento do governo, afirmando na rede X que: 

“Novas informações de inteligência confirmam o que o presidente Trump afirmou inúmeras vezes: as instalações nucleares do Irã foram destruídas”.

Entre as unidades citadas como comprometidas, estão os complexos de Natanz, Fordow e Esfahan, considerados centrais na infraestrutura nuclear iraniana. 

“Se os iranianos optarem pela reconstrução, terão que reconstruir completamente as três instalações”, escreveu Gabbard. Segundo ela, o processo poderá levar anos.

Apesar das evidências apoiarem a versão de Trump, ainda há pouca análise independente

Imagens de satélite divulgadas por agências internacionais mostram crateras em Fordow, o que dá respaldo parcial às alegações de danos. Contudo, até o momento, não foram apresentadas evidências independentes que confirmem a extensão das destruições alegadas.

O governo iraniano, por sua vez, admitiu que as instalações foram “gravemente danificadas”, mas não ofereceu detalhes técnicos sobre o impacto dos ataques nem indicou se pretende reconstruí-las no curto prazo.

Com versões divergentes entre órgãos de inteligência dos Estados Unidos e sob o pano de fundo das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o pronunciamento de Pete Hegseth nesta quinta-feira deverá ser decisivo para esclarecer a extensão real dos danos. 

Em meio à disputa por credibilidade e influência, o caso reforça a centralidade da informação, e da desinformação, nos conflitos do século XXI.

Gostaria de entender mais profundamente o que está acontecendo no Oriente Médio? Leia nosso texto sobre o Mapa da Guerra.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui

[VENDA] BP 10 ANOS
[VENDA] BP 10 ANOS