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Regime chinês liberta fiéis e fecha o cerco contra líderes cristãos

Pastores da Igreja Zion passaram a responder por novas acusações após meses de detenção na China.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Zion Church
Fonte da imagem: Site Back to Jerusalém

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Nove cristãos chineses foram libertados depois de mais de oito meses de prisão. Do lado de fora, familiares aguardavam os membros da Igreja Zion, uma das maiores redes de igrejas domésticas da China.

De acordo com a organização ChinaAid, todos aparentavam estar em boas condições físicas e mentais.

No entanto, a libertação não encerrou o caso.

O regime chinês libertou sob fiança nove membros da Igreja Zion após o fim do prazo máximo de detenção investigativa.

A soltura não encerra o caso

Outros nove líderes da congregação continuam presos e passaram a responder a novas acusações de “operações comerciais ilegais” e “fraude”.

Eles foram transferidos para a Procuradoria Popular do Distrito de Yinhai, em Beihai, onde devem responder ao processo.

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O caso começou em outubro de 2025

Cerca de 30 pastores e membros da Igreja Zion foram detidos em operações simultâneas realizadas em diferentes regiões da China. As ações ocorreram à noite e atingiram líderes da congregação em várias cidades.

Ezra Jin Mingri foi preso em Beihai depois que agentes revistaram sua residência. Segundo relatos de organizações cristãs, cerca de dez agentes participaram da ação.

Uso ilegal de informações da internet

A acusação inicial contra os detidos era de “uso ilegal de informações da internet”. O enquadramento está ligado ao Código de Conduta Online para Profissionais Religiosos, implementado pelo governo chinês em setembro de 2025.

Na prática, a regra restringe a divulgação de conteúdos religiosos na internet a canais aprovados pelo Estado.

Esse ponto ajuda a explicar por que a Zion virou alvo.

A igreja foi fundada em Pequim pelo pastor Ezra Jin Mingri, formado na Universidade de Pequim e em seminários nos Estados Unidos.

Com o passar dos anos, cresceu para cerca de dez mil fiéis em quarenta cidades e se tornou uma das maiores redes de igrejas domésticas do país.

Na China, igrejas domésticas são congregações cristãs que se recusam a se registrar junto ao Estado. Por isso, operam fora da estrutura religiosa autorizada pelo Partido Comunista Chinês e são tratadas como ilegais pela legislação local.

A Zion Church já havia sido proibida em 2018

A igreja foi proibida depois de resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede em Pequim.

Desde então, a igreja passou a funcionar de forma fragmentada, com pequenos grupos presenciais e cultos transmitidos por plataformas digitais.

Esse modelo permitiu que a congregação sobrevivesse, mas também a colocou no centro das novas regras chinesas contra atividades religiosas online.

Agora, as acusações mudaram de eixo.

Em vez de focar apenas no uso da internet, as autoridades passaram a tratar as atividades da igreja como supostas operações comerciais ilegais e fraude.

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A Zion nega as acusações.

A igreja afirma que seus treinamentos bíblicos não são negócios e que os recursos recebidos são doações voluntárias dos fiéis, não pagamentos fraudulentos.

A defesa dos presos também afirma que ainda não teve acesso completo aos autos do processo.

Defensores de direitos humanos dizem que o uso de acusações econômicas contra igrejas domésticas tem se tornado mais comum na China.

Ofertas, materiais religiosos, cursos bíblicos e atividades de formação teológica passam a ser tratados pelas autoridades como indícios de atividade comercial irregular.

Bob Fu, fundador da ChinaAid, disse que a soltura dos nove fiéis é uma resposta às orações de cristãos ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, afirmou que “a verdadeira justiça ainda não foi alcançada” enquanto os líderes continuam presos.

Na época, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, exigiu a libertação dos líderes da Zion.

Ele condenou o que classificou como hostilidade do Partido Comunista Chinês contra cristãos que rejeitam a interferência do partido em sua fé e escolhem cultuar em igrejas domésticas não registradas.

O governo chinês nega perseguição religiosa

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou desconhecer os casos e disse que o governo administra os assuntos religiosos de acordo com a lei, além de proteger a liberdade religiosa dos cidadãos.

A resposta segue o padrão adotado por Pequim diante de críticas internacionais. O regime nega perseguição, invoca a legislação local e trata o assunto como questão interna.

Enquanto isso, igrejas e organizações cristãs nos Estados Unidos e na Ásia têm organizado encontros mensais de oração e jejum no dia 9 de cada mês, em memória da data em que começou a repressão contra a Zion.

O processo contra os líderes que continuam presos deve indicar como o regime chinês pretende tratar, nos próximos anos, as igrejas cristãs que se recusam a entregar sua fé ao controle direto do Estado.

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