Jeannette Jara, da coalizão de esquerda de Gabriel Boric, e José Antonio Kast, líder da direita chilena, avançam para o segundo turno, marcado para 14 de dezembro.

A eleição presidencial do Chile, realizada neste domingo (16), definiu os dois nomes que disputarão o segundo turno: Jeannette Jara, candidata da coalizão governista de esquerda, e José Antonio Kast, representante da direita chilena.
Com mais de 96% das urnas apuradas, Jara recebeu cerca de 26,8% dos votos, e Kast obteve 23,9%. O segundo turno será realizado em 14 de dezembro, em um ambiente marcado pela preocupação com segurança pública, criminalidade e imigração.
Mais de 11 milhões de eleitores participaram da votação, a primeira eleição presidencial com voto obrigatório desde 2012.
José Antonio Kast, 59 anos, representa a direita chilena e é filiado ao Partido Republicano. Ele disputou a presidência pela terceira vez e chegou ao segundo turno também em 2021, quando perdeu para Boric.
Ele é conhecido por elogiar diversos pontos do governo de Augusto Pinochet, general que governou o país entre 1973 e 1990:
“Acredito que Pinochet deu um salto qualitativo que permitiu a alguém como Sebastián Piñera desenvolver um programa. Deixando de lado a questão dos direitos humanos, o governo de Pinochet foi melhor para o desenvolvimento do país do que o de Sebastián Piñera”, disse em uma ocasião.
Entre as questões abordadas por Kast estão questões ligadas a questões como segurança e controle de fronteiras. Suas principais propostas incluem:
Nesta eleição, adotou tom mais moderado sobre temas de costumes, que o prejudicaram entre o eleitorado feminino em disputas anteriores.
Kast recebeu apoio imediato de:
Esses apoios ampliam seu potencial de crescimento na segunda etapa.
Jeannette Jara é a candidata apoiada pelo presidente Gabriel Boric e filiada ao Partido Comunista do Chile. Ela é a primeira candidata comunista a chegar ao segundo turno desde o retorno da democracia chilena.
Jara ganhou notoriedade por liderar a redução da jornada de trabalho semanal de 45 para 40 horas e articular um dos maiores aumentos do salário mínimo da história recente do país.
Caso seja eleita, ela será a primeira presidente comunista do Chile desde a morte de Salvador Allende durante as movimentações militares que levaram Pinochet ao poder em 1973. Entre suas principais propostas estão:
Durante a campanha, a candidata buscou se distanciar do estilo de governo de Boric, apesar de manter alinhamento programático com a coalizão governista.
Mesmo tendo vencido a primeira etapa, Jara chega ao segundo turno em desvantagem numérica, já que os candidatos de direita somaram mais de 50% dos votos no total.
Ela tenta agora atrair apoio do centro e reduzir rejeições históricas ao Partido Comunista.
O Chile passa por uma eleição marcada pelo aumento da criminalidade, que cresceu de forma significativa na última década, e pelo impacto da imigração e da atuação de organizações criminosas.
Esses fatores colocaram a segurança pública no centro do debate nacional.
No segundo turno, os eleitores decidirão entre duas propostas distintas: a da coalizão de esquerda, representada por Jeannette Jara, e a da direita republicana, representada por José Antonio Kast.
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