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Quem é o “candidato da direita” na eleição de São Paulo?

Três cientistas políticos avaliam os posicionamentos dos três candidatos melhor avaliados nas pesquisas para governar a maior cidade do país.

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Redação Brasil Paralelo
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Urna eletrônica após finalizar uma sessão.
Fonte da imagem: Antonio Augusto/TSE/CNJ

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Três candidatos têm disputado o voto do eleitor paulistano que se identifica com os valores popularmente associados ao campo da direita política. Ricardo Nunes (MDB), Pablo Marçal (PRTB) e Marina Helena (Novo) têm se apresentado como os representantes deste espectro ideológico.

Para saber quem realmente é o nome mais alinhado com essas visões de mundo, a Brasil Paralelo consultou três cientistas políticos e comentaristas do programa Cartas na Mesa.

O que é ser de direita?

Adriano Gianturco destacou em sua fala que a divisão entre direita e esquerda não é a forma de classificação mais correta:

"A divisão esquerda e direita é uma divisão simples, dicotômica, binária, simplista, que então acaba agrupando ideologias, partidos e pessoas, autores, filósofos e políticos, com visões diferentes. Na verdade, o que a ciência faz é se dividir em lugar de dois, dividir em quatro ou cinco."

Com isso mencionado, o professor trouxe que atualmente o termo representa principalmente posicionamentos conservadores e liberais:

"Então, considerando neste sentido, podemos dizer que hoje a direita é conservadorismo e liberalismo."

Christian Lohbauer afirma que existem três características principais da direita. A primeira é a forma como conduzem a administração pública:

"A agenda da direita na administração do Estado, dentro da ideologia liberal e conservadora, é uma agenda de austeridade fiscal, controle dos gastos públicos e foco em políticas públicas de educação, saúde e segurança. As políticas sociais ganham menos ênfase."

O cientista político segue falando que em termos econômicos, a direita visa uma política de mercado, com foco para o papel do setor privado:

"A economia em um Estado conservador ou liberal é uma economia de mercado, então as políticas públicas são direcionadas para a presença do mercado como direcionador do desenvolvimento."

Por fim, o cientista político apresentou a questão dos costumes como um ponto associado às ideologias da direita:

"Geralmente os valores mais conservadores e ligados aos valores religiosos, no caso do Brasil ligados ao cristianismo, estão na direita. Uma política mais restritiva ao aborto, ao uso das drogas e restrições morais ligadas aos valores estão ligadas à direita."

Luís Philippe de Orleans e Bragança trouxe alguns pontos similares aos de Lohbauer, exemplificando pontos defendidos pela direita em diferentes áreas.

Para o parlamentar, em termos de costumes, a direita defende pautas como a religião e a família, enquanto se opõe a:

  • realização do aborto, 
  • uso de drogas e
  • censura 

As pautas políticas defendidas pela direita envolvem o combate à:

  • ditadura; 
  • corrupção; 
  • injustiça e 
  • perseguição política.

As propostas da direita na economia visam promover:

  • livre iniciativa; 
  • menos impostos; 
  • menos burocracia e 
  • garantia da propriedade privada
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Os candidatos

Ao analisar os três candidatos que disputam votos da direita, Gianturco afirma que Marina Helena é uma candidata liberal, enquanto Nunes e Marçal não se enquadram em nenhum espectro ideológico:

"Nunes é uma ameba do ponto de vista ideológico, ele é centrão, então é transversal a tudo isso. Marçal, sinceramente, não consigo nem encaixar, porque eu não acredito que tenha uma visão de mundo, uma ideologia por trás. Pode muito bem se tratar de oportunismo político e não ter nada a ver com ideologias específicas."

Lohbauer, por outro lado, afirma que Ricardo Nunes e Datena são candidatos sem ideologia, porém tendem à centro-esquerda:

"Tanto Datena quanto Ricardo Nunes são políticos burocráticos, eles não têm uma ideologia muito formada, falam um pouco de tudo, mas pelo perfil administrativo e pela tentativa de incorporar todo tipo de agenda, inclusive a burocracia, o paternalismo, o patrimonialismo e uma visão de Estado norteador, estão na centro e esquerda."

O cientista político ainda destaca que tanto Marçal como Marina Helena estão no campo da direita:

"Quem tem uma agenda mais clara em torno da centro-direita é a Marina Helena. Ouvindo o que Pablo Marçal fala e pensando nos conceitos que trouxemos, ele parece ter uma posição em relação aos costumes muito alinhados à direita."

A análise de Luís Philippe é parecida, afirmando que Marina Helena e Marçal têm posições mais claros sobre pontos característicos da direita.

"Tanto o Marçal quanto a Marina Helena têm esse perfil e posicionamento anti-estado, pró- mercado e de ordem natural. Talvez a Marina seja mais conservadora por temperamento e experiência no setor público."

O cientista político também destaca pontos que considera ligados ao conservadorismo na campanha de Marçal:

"Ele tem aspectos fortes do conservadorismo, pois faz referências frequentes a sua família e sua fé. Sobre o liberalismo idem - abraça a livre iniciativa como alternativa ao assistencialismo de estado."

O deputado afirma que o atual prefeito de São Paulo, por outro lado, teve um comportamento que traz dúvidas sobre questões como liberdade individual:

"O Nunes sobre saúde e livre iniciativa não tem boas referências. Durante a época das vacinas, mostrou-se favorável à intervenção na saúde familiar e ao fechamento do comércio. Isso preocupa bastante sobre interferência."

Nas últimas pesquisas divulgadas pelo Instituto Datafolha, Pablo Marçal, Ricardo Nunes e Guilherme Boulos (PSOL) aparecem tecnicamente empatados.

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