Segurança pública5 min de leitura

Procurador-geral de SP diz que crime organizado nunca esteve tão forte no Brasil

Autoridades brasileiras e italianas se reuniram em São Paulo para discutir cooperação internacional contra facções que já operam como máfias.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
PCC
Fonte da imagem: Wikimedia

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O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o crime organizado nunca esteve em um nível tão elevado no país.

A declaração aconteceu durante a "Conferência de Consenso", evento que reuniu autoridades brasileiras e italianas no Ministério Público paulista.

Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 ajudam a sustentar esse diagnóstico.

Em 2025, as ocorrências de tráfico de drogas chegaram a 207.058 casos, um salto de 18,5% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica iniciada em 2013.

Facções como o PCC e o Comando Vermelho ampliaram o controle sobre rotas de tráfico e sobre o varejo de drogas dentro do país nesse mesmo período.

Segundo o procurador, a criminalidade brasileira já ganhou caráter transnacional, e as facções que operam no país hoje podem ser classificadas como organizações mafiosas.

Para ele, o único caminho possível para enfrentar esse cenário é a cooperação internacional. Ele também classificou o crime organizado como uma das maiores ameaças à democracia brasileira atualmente.

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Para o promotor, PCC e CV podem ser tratados como máfias

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, reforçou esse diagnóstico. Segundo ele, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho já podem ser tratados como máfias, e a facção paulista já mantém presença estabelecida na Europa.

"Trata-se de uma cadeia logística. Estamos diante de uma economia criminosa em expansão contínua", disse, citando a aliança entre o PCC e a 'Ndrangheta, organização mafiosa italiana como evidência do alcance internacional da facção brasileira.

Gakiya também chamou atenção para a infiltração do crime organizado na política.

"Não existe crime organizado em qualquer lugar do mundo sem estar de braços cruzados com a corrupção", afirmou.

Giovanni Tartaglia, assessor jurídico do Ministério de Relações Exteriores da Itália, definiu o PCC como "um paradigma de uma geopolítica criminosa".

Segundo ele, esse tipo de organização funciona como um triângulo vicioso, sustentado por três elementos que se retroalimentam: a prática de atos ilícitos, a corrupção de autoridades e a infiltração na economia formal.

Esse cenário de expansão acontece mesmo com o aumento dos investimentos estaduais em segurança pública.

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Cooperação internacional contra o crime

O encontro em São Paulo teve como objetivo aprofundar o entendimento sobre a ameaça representada por essas organizações, com foco específico no PCC e no Comando Vermelho.

Também buscou identificar prioridades conjuntas entre Brasil e Itália em temas como narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção, segurança prisional e infiltração na economia legal.

Participaram ainda do evento o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, o procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti, a secretária da Organização Internacional Ítalo-Latino Americana, Tatiana Ribeiro Viana, e o ex-ministro do STF Francisco Rezek.

Discursos como esses, somados aos números mais recentes do país, mostram como o crime organizado no Brasil já opera em escala internacional, com raízes que vão muito além das fronteiras nacionais.

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