Autoridades brasileiras e italianas se reuniram em São Paulo para discutir cooperação internacional contra facções que já operam como máfias.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o crime organizado nunca esteve em um nível tão elevado no país.
A declaração aconteceu durante a "Conferência de Consenso", evento que reuniu autoridades brasileiras e italianas no Ministério Público paulista.
Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 ajudam a sustentar esse diagnóstico.
Em 2025, as ocorrências de tráfico de drogas chegaram a 207.058 casos, um salto de 18,5% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica iniciada em 2013.
Facções como o PCC e o Comando Vermelho ampliaram o controle sobre rotas de tráfico e sobre o varejo de drogas dentro do país nesse mesmo período.
Segundo o procurador, a criminalidade brasileira já ganhou caráter transnacional, e as facções que operam no país hoje podem ser classificadas como organizações mafiosas.
Para ele, o único caminho possível para enfrentar esse cenário é a cooperação internacional. Ele também classificou o crime organizado como uma das maiores ameaças à democracia brasileira atualmente.
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O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, reforçou esse diagnóstico. Segundo ele, tanto o PCC quanto o Comando Vermelho já podem ser tratados como máfias, e a facção paulista já mantém presença estabelecida na Europa.
"Trata-se de uma cadeia logística. Estamos diante de uma economia criminosa em expansão contínua", disse, citando a aliança entre o PCC e a 'Ndrangheta, organização mafiosa italiana como evidência do alcance internacional da facção brasileira.
Gakiya também chamou atenção para a infiltração do crime organizado na política.
"Não existe crime organizado em qualquer lugar do mundo sem estar de braços cruzados com a corrupção", afirmou.
Giovanni Tartaglia, assessor jurídico do Ministério de Relações Exteriores da Itália, definiu o PCC como "um paradigma de uma geopolítica criminosa".
Segundo ele, esse tipo de organização funciona como um triângulo vicioso, sustentado por três elementos que se retroalimentam: a prática de atos ilícitos, a corrupção de autoridades e a infiltração na economia formal.
Esse cenário de expansão acontece mesmo com o aumento dos investimentos estaduais em segurança pública.
O encontro em São Paulo teve como objetivo aprofundar o entendimento sobre a ameaça representada por essas organizações, com foco específico no PCC e no Comando Vermelho.
Também buscou identificar prioridades conjuntas entre Brasil e Itália em temas como narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção, segurança prisional e infiltração na economia legal.
Participaram ainda do evento o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, o procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti, a secretária da Organização Internacional Ítalo-Latino Americana, Tatiana Ribeiro Viana, e o ex-ministro do STF Francisco Rezek.
Discursos como esses, somados aos números mais recentes do país, mostram como o crime organizado no Brasil já opera em escala internacional, com raízes que vão muito além das fronteiras nacionais.
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