Presidente conservador retira obras feministas e LGBT de museu na Colômbia
A Justiça determinou que as peças sejam conservadas e que o governo explique a decisão.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, ordenou a retirada de 30 peças do Museu Nacional, em Bogotá.
Elas retratavam questões ligadas a temas como ideologia de gênero, feminismo e o processo de paz com as FARC.
"O Estado tem o incontornável dever moral e político de impedir que os espaços culturais sejam capturados pelo social-comunismo ateu, inimigo dos valores", afirmou Espriella.
Além disso, ele afirmou que a “cultura woke” é um dos grandes “cânceres” que ameaça a unidade nacional.
A medida é o primeiro passo da guerra cultural prometida por Espriella, que tomou posse em agosto com um discurso linha-dura de combate ao crime organizado e defesa de ideais conservadores.
As peças saíram de uma exposição permanente do museu, o mais antigo do país, no fim da semana passada. Entre elas estão:
uma bandeira que pertenceu à ativista LGBT Elizabeth Castillo;
campanha publicitária da parada gay de 2006;
uma fotografia de Humberto Rincón Perfetti da marcha “Por uma Colômbia incluída”;
um exemplar da revista La Ventana Gay;
o chapéu de Carlos Pizarro, ex-comandante da guerrilha M-19.
Também saíram objetos ligados a figuras de esquerda e aos estudantes que impulsionaram a Constituição de 1991.
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Esquerda protesta contra a decisão e briga com a polícia
Grupos de esquerda se reuniram em frente ao museu para protestar contra a decisão do presidente.
O ato acabou em confronto contra a polícia, que usou gás lacrimogêneo, jatos d’água e bombas de efeito moral.
Os agentes também destruíram uma instalação montada pelos manifestantes, com torres de tijolos e fotografias das 30 peças retiradas.
Na segunda-feira (19), os protestos continuavam, e o museu estava cercado por policiais.
Justiça intervém no caso
O caso chegou à Justiça por meio de uma tutela, instrumento usado na Colômbia para proteger direitos fundamentais.
A ação foi apresentada por Gabriel Becerra Yáñez, secretário-geral do partido União Patriótica, e por integrantes dos coletivos León Zuleta e Revolución en Rosa.
Eles alegam que a retirada das peças é censura e viola o direito à igualdade e a proibição de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.
Na segunda-feira (19), o juiz César Enrique Osorio, do Juizado 24 de Família de Bogotá, aceitou a ação e determinou medidas provisórias.
O museu deve manter as peças em conservação, ficando proibido de destruí-las, alterá-las ou levá-las para fora de suas instalações.
O juiz também decidiu que nenhuma nova peça pode ser retirada por causa de seu conteúdo sem um ato administrativo que justifique a decisão.
Até agora, o governo não divulgou nenhum documento oficial que fundamente as retiradas.
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