Um jornalista relatou ter pago R$100,00 por uma pequena quiche de espinafre, um refrigerante, e um salgado de camarão.

A COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que acontece em Belém do Pará, virou notícia não apenas pelas discussões ambientais. Os preços do serviço de alimentação oficial roubaram a atenção dos assuntos discutidos.
O jornalista Márcio Gomes, da CNN, relatou nas redes sociais ter pago R$100 por uma pequena quiche de espinafre, um refrigerante e um salgado de camarão com queijo do Marajó.
“Nesse primeiro dia de discussões sobre o clima, eu, trabalhando bastante, correndo bastante aqui nesse parque da cidade, onde foi montado todo o complexo da COP 30, fui buscar um salgadinho e… tá caro”, disse Gomes.
Na chamada blue zone, área de acesso restrito a delegações e imprensa, a lista de preços é alta.
Por exemplo, uma garrafa de água de 350 mL custa R$25,00. Em supermercados, a mesma garrafa custa entre 1 e 2 reais e o refrigerante entre 2 e 6 reais.
Pelo mesmo valor de uma garrafa de água na COP30, é possível comprar 1kg de peito de frango no Carrefour, o maior supermercado do país.

Sucos naturais, como os de cupuaçu e maracujá, chegam a R$30,00.
Quem quiser um lanche simples encontrará sanduíches naturais em R$35, coxinhas de frango por R$45,00 (que geralmente custam entre 4 e 8 reais), e wraps veganos por R$55,00.
Depois da coxinha de R$45,00 e a água de R$25,00, as pessoas encontrarão diversas sobremesas, como um brigadeiro em R$20,00, um brownie em R$30,00, ou um pedaço de bolo em R$50,00.
Há até uma cuia com cinco bombons regionais por R$100,00.
Donos de lanchonetes justificaram que os valores são “dolarizados” e incluem repasses à administração do evento.
Além disso, por motivos de segurança, não é permitido levar comida de fora, portanto os participantes devem consumir apenas nos quiosques e cafés credenciados.
Alguns usuários ofereceram dinheiro de forma irônica e outros criticaram diretamente a fala do jornalista.
“Tem que reclamar na ONU [Organização das Nações Unidas] que aluga estande em dólar. Um jornalista dessa envergadura, reduzindo o debate climático ao preço de salgadinho”, disse um usuário na postagem.
Outro comentário insinuou que a crítica do jornalista responde a um preconceito com a região:
“Pensei que a COP fosse pra falar sobre o clima… Mas estou vendo jornalistas mais preocupados em levantar pontos considerados, por eles, negativos apenas pelo simples fato de que qualquer coisa ligada ao Norte do país parece inaceitável para o restante do Brasil”.
A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP) é o principal fórum global para discutir políticas ambientais e acordos climáticos.
A edição de 2025, sediada em Belém, marca a primeira vez que o evento ocorre na Amazônia.
A COP30 reúne chefes de Estado, diplomatas, ONGs e especialistas de todo o mundo para definir compromissos de redução de emissões de carbono e estratégias de preservação ambiental.
Falas sobre o ambiente estão acontecendo neste momento, e elas podem se tornar políticas que influenciaram o panorama de todos os países. Se você não quer ficar por fora destas informações, assine a newsletter gratuita da Brasil Paralelo, o Resumo BP, que leva até você uma curadoria de notícias.
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