Operação identifica pousada, dinheiro em espécie, duas armas de fogo e viagens de familiares custeadas com dinheiro público.
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Um esquema milionário de desvio de dinheiro público repassado ao Sistema Único de Saúde (SUS) está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) em Alagoas.
A Operação Estágio IV ocorreu em várias cidades do estado e em outras unidades da federação, com cumprimento de 38 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).
Segundo a PF, a investigação identificou indícios de favorecimento indevido em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) entre 2023 e 2025.

Entre as empresas envolvidas estão uma fornecedora de material hospitalar e uma empresa de construção civil. Ambas resultam em pagamentos que somam quase R$ 100 milhões, parte dos quais ainda em execução.
A investigação também aponta suspeitas de ressarcimentos superfaturados no SUS, totalizando mais de R$ 18 milhões em procedimentos médicos e consultas que não teriam ocorrido.
Entre os bens citados na investigação, está a aquisição de uma pousada em Porto de Pedras, na costa alagoana, comprada por R$ 5,7 milhões em 2023.
Também foi determinado o sequestro de bens de alto valor registrados em nome dos investigados ou de terceiros, assim como apreendidas armas de fogo e uma quantidade expressiva de dinheiro em espécie, tanto em reais quanto em moeda estrangeira.
Em nota oficial, o governo estadual afirmou que não compactua com irregularidades envolvendo recursos públicos destinados à saúde e assegurou que os serviços da Sesau continuam funcionando normalmente, sem prejuízo ao atendimento à população.
Segundo veículos de mídia local, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, acatou a determinação judicial de afastar o secretário de Estado da Saúde pelo prazo de 180 dias, para garantir a independência das apurações.
O comunicado também reforçou o compromisso com a transparência e com o devido processo legal durante a investigação.
Conforme os investigadores, parte dos recursos desviados foi utilizada para transferências bancárias, saques e pagamentos indiretos, configurando um esquema complexo de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Segundo a PF, o nome da operação “Estágio IV” faz referência ao estágio terminal de alguns tipos de câncer, em alusão à gravidade e à nocividade das ações da organização criminosa.
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