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Atualidades
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Possível Aurora Austral surge no Brasil após maior tempestade solar dos últimos 20 anos

Brilho roxo que durou poucos minutos foi registrado por Egon Filter, especialista em astrofotografia.

Por
Cadu Ferreira
Publicado em
28/1/2026 17:10
Reprodução / Instagram

24 horas após a tempestade solar mais severa em duas décadas atingir a Terra, alguns moradores da pequena Cambará do Sul viram um brilho roxo no céu.

A possível aurora boreal da noite de 20 de janeiro durou poucos minutos, mas foi o bastante para o registro que chamou a atenção dos maiores pesquisadores astronômicos do mundo.

O fotógrafo gaúcho Egon Filter, com mais de quatro décadas de experiência em astrofotografia, registrou o fenômeno e disse que a imagem parecia com a aurora austral, o equivalente à aurora boreal no Hemisfério Sul.

"Já fotografei diversos fenômenos visuais e astronômicos no céu mundo afora. Esse me parece muito uma aurora austral, o que me arrepiou de emoção no momento do clique", disse o fotógrafo.
Egon Filter / Instagram

Filter, que já fez expedições a mais de 100 países, também disse que a aurora pode ser o resultado de uma intensa tempestade solar que aconteceu no dia anterior.

"A aurora boreal e a aurora austral ocorrem normalmente em latitudes acima do paralelo 60 graus. O Rio Grande do Sul está na latitude entre 29 e 33 graus, mas sei que podem ocorrer exceções em caso de tempestades solares, e uma bem violenta aconteceu um dia antes, por isso acredito que vimos uma aurora”, disse Filter.

O que aconteceu?

A maior tempestade solar em 20 anos atingiu a Terra na última semana. Radiação e outras partículas tocaram o campo magnético do planeta e criaram imagens nos céus de várias partes do mundo.

A chuva de raios solares foi tão rigorosa que poderia afetar sistemas de GPS e satélites, além de influenciar a aparição de auroras boreais, segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial dos EUA, que a classificou em 4 de 5 quanto ao nível de severidade.

Um dia depois, surge a pintura no céu de Cambará do Sul. E além da hipótese de aurora, o fenômeno pode ter sido um “airglow”, um brilho produzido por colisões de átomos e moléculas na alta atmosfera após eventos geomagnéticos intensos.

“Airglow” - Egon Filter / Divulgação

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em Santa Maria, José Valentin Bageston, afirmou que o evento em Cambará pode ter características únicas e ainda não tem explicação definitiva.

Após 25 anos de monitoramento geomagnético na região, o brilho roxo chamou a atenção de pesquisadores americanos do site Space Weather, referência mundial em registros astronômicos.

Egon Filter é especialista em astrofotografia e segue registrando eventos como o da aurora, ou a aparição de estrelas, como o Cometa Tsuchinshan na mesma região do Brasil:

Cometa Tsuchinshan em meio a ventos de 60-80km/h nas dunas junto ao litoral sul do Rio Grande do Sul / Egon Filter / Instagram.

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