Operação Helmintos mira compra de imóveis, controle de quiosques, licitações suspeitas e apoio a políticos eleitos na Baixada Santista.

A Polícia Civil de São Paulo foi atrás de um núcleo do PCC nesta quinta-feira (3). A suspeita é que esse grupo tenha lavado cerca de R$1 bilhão vindos do tráfico.
O nome da operação já entrega o que a polícia pensa desse esquema. Helmintos são parasitas. E é assim que os investigadores descrevem a atuação do grupo, infiltrado na economia local, sugando recursos como um parasita faz com o corpo onde vive.
A engrenagem funcionava assim. Dinheiro do tráfico virava compra de imóveis caros, empresas e estabelecimentos comerciais.
Para isso, o grupo contava com um time completo. Lideranças da facção, operadores financeiros, gente do mercado imobiliário e os famosos "testas de ferro", pessoas que emprestavam o próprio nome para esconder quem realmente estava por trás dos bens.
De oito presos em Taubaté a uma multinacional do crime com faturamento anual estimado em R$10 bilhões. Conheça a origem da maior facção criminosa da América Latina.
A polícia encontrou outras frentes de atuação. Quiosques em áreas públicas de Praia Grande sob controle do grupo. Suspeitas de favorecimento em uma licitação da prefeitura. Apoio financeiro a políticos que já foram eleitos.
Junte tudo isso e o quadro fica maior do que só lavagem de dinheiro. Para os investigadores, havia uma tentativa de colocar a mão na própria administração da cidade, mirando o Executivo e o Legislativo.
As buscas aconteceram em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. Casas, empresas, e até um setor da prefeitura entraram na lista.
A Justiça autorizou a prisão de quatro suspeitos, apontados como líderes e responsáveis pelo dinheiro do esquema. Também mandou bloquear contas, investimentos e 29 imóveis ligados aos investigados.
A investigação segue sob sigilo, conduzida pelo Deinter 6. A ideia agora é descobrir quem mais está envolvido e o tamanho real desse esquema, tanto no bolso quanto na política.
A Brasil Paralelo entrevistou o capitão Alexandre Antunes Ribeiro, oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo e pesquisador especializado em crime organizado e desordens públicas, para falar sobre a origem desconhecida da maior facção do Brasil e da América Latina.
Assista à entrevista completa:
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