Como funciona a técnica
O processo desenvolvido em Tel Aviv começa com a retirada de células sanguíneas do paciente.
Essas células são reprogramadas em laboratório para se tornarem células-tronco, capazes de se transformar em qualquer tipo de tecido.
Em paralelo, os cientistas coletam gordura do próprio paciente. O tecido adiposo é processado e transformado em um hidrogel, que serve como suporte para o novo tecido.
As células-tronco reprogramadas são inseridas nesse hidrogel e induzidas a se desenvolver em células nervosas.
O resultado é uma estrutura que imita a medula espinhal humana. Essa nova medula é então implantada no local da lesão, substituindo as áreas cicatrizadas.
O objetivo é recriar as conexões elétricas interrompidas, permitindo que os sinais voltem a passar do cérebro para o resto do corpo.
O chefe do Centro Sagol de Biotecnologia Regenerativa da Universidade de Tel Aviv, professor Tal Dvir, comparou o a medula a um cabo elétrico durante entrevista para o The Jerusalem Post:
“A medula espinhal transmite sinais elétricos do cérebro para todas as partes do corpo. Quando ela é rompida por um trauma, como um acidente de carro, uma queda ou um ferimento em combate, a corrente se rompe. Imagine um cabo elétrico cortado: quando as duas extremidades não se tocam mais, o sinal não consegue passar e o paciente permanece paralisado abaixo da lesão”
O professor destacou que se a técnica funcionar será possível tirar pacientes de cadeiras de rodas:
"Nosso objetivo é ajudar pacientes paralisados a se levantarem de suas cadeiras de rodas. Os testes com modelos animais demonstraram um sucesso extraordinário, e esperamos que os resultados em humanos sejam igualmente promissores"
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 15 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com lesões na medula espinhal.