Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão entre os personagens reais retratados na série. Veja o que aconteceu com cada um após deixar o presídio.

A série “Tremembé” aumentou o interesse do público por alguns dos crimes mais conhecidos do Brasil.
Inspirada nos livros-reportagem do jornalista Ullisses Campbell, Suzane: Assassina e Manipuladora (2020) e Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido (2021), a produção retrata a convivência de detentos conhecidos na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo.
Em cinco episódios, o drama mostra como o presídio se tornou símbolo de uma era em que crimes brutais ganharam status de espetáculo nacional.
Duas décadas depois dos casos que chocaram o país, onde estão hoje os criminosos retratados na série?
Condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002, Suzane teve a pena reduzida para 34 anos e quatro meses.
Durante o período em Tremembé, ela retomou o curso de Direito e trabalhou na confecção de uniformes dentro da unidade.
Em janeiro de 2023, conquistou o direito ao regime aberto. Desde então, mora em Angatuba (SP), onde abriu um empreendimento chamado Su Entrelinhas.
A loja online vende chinelos e produtos artesanais personalizados, com valores médios entre R$150 e R$180.
Suzane se casou com o médico Felipe Zecchini Muniz e teve o primeiro filho, também chamado Felipe, em janeiro de 2024. Desde então, passou a usar o nome Suzane Louise Magnani Muniz.
Atualmente, leva uma vida discreta e continua seus estudos universitários de forma presencial.
Parceiros de Suzane no crime, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos foram condenados, respectivamente, a 39 e 38 anos de prisão pela morte dos pais dela.
Daniel Cravinhos está em regime aberto desde 2018. Trabalha com customização de motos e é dono de uma oficina no Grande ABC (SP). É também piloto e pratica aeromodelismo como hobby.
Em janeiro de 2025, casou-se com a biomédica Carol Andrade, com quem vive atualmente. Antes, teve relacionamentos com Andressa Rodrigues, com quem teve uma filha em novembro de 2024, e com Alyne Bento, com quem foi casado entre 2014 e 2019.
Daniel mantém um perfil ativo no TikTok, onde compartilha vídeos sobre seu cotidiano profissional e familiar com cerca de 13 mil seguidores.
Cristian Cravinhos teve uma trajetória mais instável. Após cumprir parte da pena em regime semiaberto desde 2013, conquistou o regime aberto em 2017, mas perdeu o benefício no ano seguinte.
Foi condenado novamente por corrupção ativa e posse ilegal de munição, após tentar subornar policiais em Sorocaba (SP), o que adicionou mais quatro anos à sua sentença.
Cristian voltou à liberdade em 2025, aos 49 anos, para cumprir o restante da pena fora da prisão. Tem dois filhos e vive de forma reservada.
Condenada em 2012 a 19 anos e 11 meses de prisão pelo assassinato e esquartejamento do marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, diretor da Yoki, Elize se tornou uma das figuras mais midiáticas de Tremembé.
Durante o tempo presa, trabalhou na costura de uniformes e participou de cursos profissionalizantes. Em maio de 2022, progrediu ao regime aberto e deixou o presídio.
Desde então, vive em Franca (SP), onde leva uma vida discreta. Já trabalhou como motorista de aplicativo, e mais tarde passou a se dedicar à produção de roupas e acessórios para animais de estimação.
Chegou a participar de documentários e entrevistas, mas nos últimos anos tem evitado a exposição pública. Cumpre as condições da liberdade condicional e segue afastada dos holofotes.
O casal condenado pela morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, em 2008, também aparece em “Tremembé”.
Alexandre Nardoni recebeu pena de 31 anos, 1 mês e 10 dias por homicídio triplamente qualificado e fraude processual.
Anna Carolina Jatobá foi condenada a 26 anos e 8 meses pelos mesmos crimes.
Durante o cumprimento da pena, os dois se separaram, e documentos judiciais mostram que desde 2022 Anna Carolina é registrada como “solteira”.
Ela deixou o presídio em junho de 2023 e passou a viver no Vale do Paraíba, onde cumpre as obrigações legais de comparecimento à Justiça e restrição de deslocamento.
Alexandre foi solto em maio de 2024, abriu uma microempresa individual (MEI) e trabalha como promotor de vendas na empresa da família, com salário de R$2,5 mil.
Em agosto de 2025, o casal foi visto junto em atividades cotidianas na zona norte de São Paulo, indicando uma possível reconciliação.
Os dois mantêm a vida privada sem aparições públicas. Os filhos do casal vivem sob os cuidados da família de Anna Carolina Jatobá.
O ex-médico Roger Abdelmassih, interpretado por Anselmo Vasconcelos, segue cumprindo pena. Condenado a 181 anos de prisão por 37 estupros e quatro tentativas cometidos entre os anos 1990 e 2000, ele está preso desde 2014.
Abdelmassih chegou a fugir para o Paraguai com uma identidade falsa, sendo recapturado e trazido ao Brasil no mesmo ano.
Chegou a cumprir parte da pena em prisão domiciliar sob justificativa médica, mas o benefício foi revogado por suspeitas de fraude em laudos.
Atualmente, cumpre pena em regime monitorado e não está mais em Tremembé. Sua previsão de liberdade é para 2047, quando terá 104 anos.
Outra figura retratada na série é Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão. Ela foi condenada a 27 anos de prisão, pena reduzida para 24 anos, por participar do sequestro e assassinato de um adolescente em Mogi das Cruzes (SP), em 2003.
Como não participou diretamente da execução, teve a pena atenuada. Passou para o regime semiaberto em 2015 e atualmente cumpre pena em regime aberto.
Aos 42 anos, vive de forma anônima e evita qualquer exposição.
Conhecido como o “presídio dos famosos”, Tremembé abrigou criminosos que se tornaram figuras conhecidas do noticiário nacional.
De acordo o autor Ullisses Campbell, “as coisas mais absurdas que estão na série aconteceram de verdade”.
Ele afirma que os livros-reportagem buscaram reconstruir o ambiente social e psicológico de cada caso, mostrando como crimes tão distintos acabaram se cruzando dentro dos mesmos muros.
Duas décadas depois dos crimes que chocaram o país, quase todos os condenados estão em liberdade condicional ou regime aberto. A maioria vive de forma discreta, tentando reconstruir a vida fora do presídio.
Outros, como Abdelmassih, seguem presos e ainda enfrentarão longos anos de pena.
Tremembé, município do Vale do Paraíba, tem 365 anos de história, mas foi a penitenciária que colocou seu nome no mapa.
O presídio, inaugurado há mais de sete décadas e reformado nos anos 2000, já foi reconhecido como “Modelo de Gestão Penitenciária” pela organização e estrutura.
Hoje, Tremembé é mais do que um local de detenção. O presídio se consolidou como um dos símbolos mais conhecidos do sistema prisional brasileiro, por reunir casos que marcaram o noticiário nacional.
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