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Atualidades
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A descoberta da Polilaminina pode render o primeiro prêmio Nobel da história do Brasil?

Testada em oito pacientes com paralisia, descoberta feita no Brasil alcançou uma taxa de recuperação dos movimentos de 75%.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
23/2/2026 16:22
Reprodução

Um fenômeno tem chamado a atenção de todo o Brasil: pacientes com paralisia total estão voltando a se movimentar.

O motivo é a polilaminina, uma substância descoberta no Brasil que vem chamando a atenção por reverter lesões graves na medula espinhal.

Recentemente, uma nutricionista ficou tetraplégica após um acidente no mar. Ela recebeu a substância menos de 72 horas após o ocorrido e, poucos dias depois, voltou a movimentar o braço direito.

Em outro caso, um rapaz que sofreu um acidente em 2018 também recebeu o medicamento nas primeiras horas após o ocorrido. Pouco tempo depois, ele começou a frequentar a academia; outro paciente apareceu em um vídeo carregando uma pessoa em uma cadeira de rodas.

Atualmente, a Anvisa autorizou o início oficial da Fase 1 de testes em humanos para avaliar a segurança do remédio.

Mas será que essa descoberta que nasceu “por acaso” na UFRJ poderia colocar o Brasil pela primeira vez no pódio do Prêmio Nobel? Para isso é preciso entender o que faz essa substância e como funciona a premiação.

O que é a Polilaminina e como ela funciona?

A substância foi desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Ela descobriu que uma proteína natural do corpo humano, chamada laminina.

Em um ambiente levemente ácido e com presença de cálcio, as moléculas essas proteinas se atraem e se encaixam pelas extremidades, organizando-se de forma espontânea.

O resultado desse processo é a polilaminina: uma rede que funciona como uma malha firme, semelhante a uma rede de pesca ou um tecido de crochê.

Na prática, essa estrutura atua como um "andaime" ou ponte, oferecendo o suporte necessário para que as células nervosas se reconectem e se regenerem.

A polilaminina tem se mostrado como um suporte para que esses nervos voltem a crescer e atravessem a área lesionada, reconstruindo o caminho para os movimentos.

Um dos pontos mais importantes da pesquisa é a origem da matéria-prima. A proteína é extraída de placentas humanas doadas por gestantes em hospitais do interior de São Paulo.

A placenta é um material rico nessa proteína, pois é ela quem ajuda a organizar os tecidos do bebê durante a gravidez.

A farmacêutica Cristália, parceira da UFRJ no projeto, purifica esse material e o envia para os hospitais. A aplicação acontece diretamente na medula do paciente durante uma cirurgia, criando uma "rede" de proteção e estímulo exatamente onde houve o trauma.

A descoberta vem chamando a atenção, mas para trazer o primeiro Prêmio Nobel para o Brasil é necessário ser indicado para a premiação.

Como se faz para ganhar um Nobel?

O processo para o Nobel começa no Comitê Norueguês, um grupo de cinco intelectuais eleitos pelo Parlamento da Noruega.

A cada mês de setembro, esse comitê aciona uma rede de especialistas e antigos vencedores para que indiquem, sob sigilo, pessoas que fizeram grandes feitos durante o ano.

Para chegar ao Nobel, Tatiana depende da indicação de um especialista e precisa superar uma concorrência de centenas de nomes.

Isso porque o sistema recebe cerca de 200 indicações por categoria, sendo que nenhum especialista pode indicar a si mesmo.

Com a lista de candidatos em mãos, entra em cena o júri de especialistas. Eles iniciam uma dissecação técnica: cada descoberta científica ou obra literária é confrontada por peritos de todo o mundo.

São debates que duram meses para separar contribuições definitivas de modismos passageiros. É aqui que o impacto real de um candidato é colocado à prova sob critérios de originalidade e rigor.

Sobram apenas os finalistas. Essa lista seleta é entregue às instituições que batem o martelo, encerrando um ciclo que transforma anos de pesquisa individual no topo da hierarquia do mérito humano.

Caso chegue a essa fase, Sampaio se torna uma das candidatas a conquistar o primeiro Nobel da história do Brasil.

Descoberta pode colocar Brasil na rota do Nobel

Reverter a paralisia é um dos maiores desafios da ciência moderna. Se os resultados de Tatiana Sampaio seguirem o ritmo atual, pode haver a possibilidade de uma indicação para o prêmio.

Até hoje, nenhum brasileiro venceu o Nobel, embora muitos tenham chegado perto:

  • Adolpho Lutz: Pioneiro na medicina tropical, provou como doenças como a febre amarela eram transmitidas.
  • Mário Schenberg: Um dos maiores físicos do mundo, que explicou o colapso de estrelas gigantes.
  • Antônio Cardoso Fontes: Descobriu detalhes fundamentais sobre a bactéria da tuberculose.

Resultados "sem precedentes" 

Em um estudo preliminar com oito pacientes que tinham lesões gravíssimas, a taxa de recuperação foi de 75%. Para se ter uma ideia, o esperado pela medicina tradicional em casos assim é de apenas 15%.

Um dos pacientes teve uma evolução tão grande que passou a frequentar a academia e realizar exercícios que seriam impensáveis para sua condição inicial.

Atualmente, a Anvisa autorizou o início oficial da Fase 1 de testes em humanos para avaliar a segurança do remédio.

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