Quem eram Manfred e Marísia Von Richthofen? Conheça os pais da assassina Suzane Richthofen

Redação Brasil Paralelo
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25/5/2022
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Em 2002, o caso Suzane Richthofen chocou o Brasil. Após uma breve investigação, o assassinato brutal de Manfred e Marísia Von Richthofen foi esclarecido: o rico casal perdeu a vida através de um plano organizado pela própria filha.

Suzane Richthofen, durante a elaboração dos planos de assassinato, afirmou que seu pai a abusava sexualmente desde seus 14 anos. Seu namorado e cúmplice do assassinato, Daniel Cravinhos, disse que Manfred Richthofen tinha uma amante, e Marísia possuía um caso amoroso com uma amiga.

Afinal, como realmente eram Manfred e Marísia Von Richthofen?

  • Para saber mais sobre o caso, o programa Investigação Paralela fez uma análise minuciosa de cada um dos fatos e das provas do assassinato de Manfred e Marísia Von Richthofen, na qual o presente artigo foi baseado. Assista:
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Como eram Manfred e Marísia Von Richthofen? Qual sua história?

Em 2002, no ano do assassinato do casal, Manfred Albert Von Richthofen era engenheiro civil na empresa Engenharia de Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa). Tinha 49 anos. Marísia, mãe de Suzane, tinha 50 anos e trabalhava como psiquiatra, atendendo a classe alta de São Paulo.

O sobrenome Richthofen, de Manfred, supostamente veio de uma família nobre da Alemanha. A família possui cientistas, diplomatas e o aviador Barão Vermelho, considerado o maior piloto da 1ª Guerra Mundial.

Contudo, após o assassinato de Manfred Richthofen, um jornal alemão alegou que Manfred estava mentindo. A reportagem que mostra as possíveis mentiras de Manfred revela um importante traço de seu caráter, que pode ter influenciado a filha, como será demonstrado mais adiante neste artigo.

Manfred, pai de Suzane, também nasceu na Alemanha. Mudou-se com sua família para o Brasil quando tinha apenas 1 ano de idade, em 1954, indo morar em Santa Catarina. Na década de 70, Manfred passa no vestibular da USP, em engenharia, e passa a morar em São Paulo, cidade na qual Suzane iria nascer.

Manfred von Richthofen conheceu Marísia na capital paulista, na USP, onde ela estudava medicina. Após apaixonarem-se, os dois se casaram e começaram uma boa vida na cidade de São Paulo.

O salário de Manfred era de 11 mil reais. Ele trabalhava na Dersa, empresa responsável pelas rodovias do Estado de São Paulo. Enquanto isso, Marísia tinha seu próprio consultório de psiquiatria, ganhando em média 20 mil reais em consultas. 

Somando os bens herdados da família, o patrimônio do casal era avaliado em 11 milhões de reais em valores atuais, antes do homicídio cometido pela filha.

Relação com a filha — pais frios e distantes

Segundo o Investigação Paralela, programa de investigação criminal da Brasil Paralelo, no aniversário de 15 anos de Suzane, uma amiga a abraçou, o que gerou bastante incômodo em Suzane.

Suzane disse-lhe para nunca mais fazer algo assim novamente. O motivo dado por ela era de que se sentia desconfortável, pois nunca tinha recebido demonstrações de afeto antes e não sabia como reagir a eles.

Suzane nunca teve muito afeto dos pais. O vazio criado pela frieza alemã foi preenchido pelo carinho obsessivo que recebia do namorado. Mas os problemas familiares não paravam aí.

Marísia descobriu traições do marido e seu envolvimento com prostitutas. Nesse momento, ela foi até Suzane e deu um longo e emocionado abraço na filha. O gesto mexeu muito com Suzane, que na época tinha 18 anos. Era a primeira vez que recebia um abraço de algum membro da família.

Possível corrupção e traições de Manfred e Marísia Von Richthofen

Manfred e Marísia Von Richthofen são acusados de corrupção e traição. Porém sem provas cabais das afirmações e, agora, sem chances de se defender. As principais acusações são:

  • Manfred manipulador — mentiras sobre a família; 
  • envolvimento de Manfred em escândalo de corrupção;
  • traições do casal;

Manfred manipulador — mentiras sobre a família

Henrique Zingano e Benke, apresentadores do programa Investigação Paralela, da Brasil Paralelo, demonstram um dos possíveis casos de manipulação de Manfred Richthofen, que possivelmente influenciaram Suzane. Nas palavras de Zingano e Benke, apresentadores do programa:

"Zingano — No começo falamos do Barão Vermelho. Acho que o pai dela mentiu nessa.
Muito se disse a respeito de um possível parentesco entre o pai de Suzane e Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, o famoso Barão Vermelho, piloto de caça na Primeira Guerra Mundial.
Passou-se a jogar luzes sobre essa possível conexão quando a mídia alemã, e em particular o Diário Bild, tratou de desmentir que o engenheiro assassinado no Brasil tivesse algum parentesco com o seu homônimo. Alegaram que toda essa história seria uma invenção de Manfred.
Benke — Segundo Manfred, “o Barão Vermelho era meu tio-avô. E meu pai foi indicado para testar o primeiro esquadrão de aviões bombardeiro de mergulho Stuka, agrupados num esquadrão batizado por Hitler de Esquadrão Richthofen. Meu pai comandou tudo isso, foi bombardear a Guerra Civil Espanhola para proteger o ditador Franco, que solicitara a Hitler o apoio logístico dos Stukas. Meu pai, de certa forma, ajudou a pintar a Guernica de Pablo Picasso, porque bombardeou a cidade retratada por ele”. 
Mas quando analisamos as afirmações, nenhuma delas se sustenta, ou ao menos se mostram extremamente improváveis. Para que o pai de Manfred tivesse de fato testado e comandado o primeiro esquadrão de Stukas, e para que tivesse participado no bombardeio de Guernica na Guerra Civil Espanhola, ele teria que ter uma patente de capitão ou major, ou seja, teria que ter, também, algo entre 18 e 28 anos de idade.
Sabemos que o Barão Vermelho tinha 3 irmãos, e todos eles tiveram filhos. De todos os sobrinhos do piloto de caça alemão, o mais velho à época da Guerra Civil Espanhola tinha apenas 15 anos. Ou seja, não existe a possibilidade de algum deles ter sido o pai de Manfred, se ele de fato teve participação em Guernica.
Ainda, se ele estava na unidade de Stukas, não chegou nem perto de Guernica, pois os modelos de aeronaves que participaram do bombardeio eram outros, não havia nenhum Stuka.
Zingano — Com tantas inconsistências na história inventada pelo pai da Suzane, a gente pode se perguntar: isso teria influenciado a Suzane a ser uma pessoa manipuladora também? Não podemos esquecer que a Suzane manipulou o Daniel ao mentir, dizendo que o pai abusava sexualmente dela desde os 14 anos de idade, e ficar fantasiando a morte dos próprios pais… uma psicopata em potencial?
Essa questão da frieza e psicopatia de Suzane pode ter resultado na morte de seus pais. Mas esse não seria o único motivo para se livrar dos dois."
enterro de Manfred e Marísia Von Richthofen
Andreas e Suzane no enterro de Manfred e Marísia Von Richthofen.

Envolvimento de Manfred em escândalo de corrupção

Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, no relatório da operação Satiagraha, revelam corrupção envolvendo contratos bilionários da Alstom, grupo industrial francês que atua na área de infraestrutura de energia e transporte, com empresas públicas do Estado de São Paulo.

A operação, comandada pelo Delegado Protógenes Queiroz em julho de 2008, prendeu o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o empresário Naji Nahas, acusados de desvio de verbas públicas e crimes financeiros.

Citado como um dos responsáveis por arrecadar fundos desviados dos contratos da Alstom, é o engenheiro da Dersa Desenvolvimento Rodoviário S/A, Manfred von Richthofen. Não há outras provas além da citação.

Traições do casal

O programa Investigação Paralela demonstra que a traição dos pais de Suzane eram conhecidas. Ele possuía amantes e saía com prostitutas, gerando grande tristeza em Marísia Richthofen.

A mãe de Suzane também foi acusada de traição. Daniel Cravinhos, ex-namorado de Suzane que participou do assalto, afirmou que Marília possuía um caso amoroso com uma amiga. Contudo, tal afirmação não foi comprovada.

Início dos conflitos entre Manfred e Marísia com Suzane Richthofen

Tudo estava aparentemente tranquilo na casa da família nobre, até que um passeio de domingo no Ibirapuera mudaria totalmente o rumo dos Richthofen. Em um ensolarado domingo de agosto de 1999, a família Von Richthofen decidiu dar um passeio no Parque Ibirapuera.

Durante a caminhada, Andreas se interessou pela competição de aeromodelismo que acontecia naquele dia, e começou a conversar com Daniel, um dos competidores presentes e dono de alguns dos aviões.

Logo, Andreas começa a fazer aulas e praticar o novo hobby, tendo Daniel como professor. Em pouco tempo, os dois se tornaram amigos muito próximos. Foi através dessa amizade que Suzane conhece seu futuro namorado.

Em um primeiro momento, Manfred e Marísia não se importaram de sua filha ter começado um relacionamento mais íntimo com alguém de uma condição social diferente. Acreditavam que seria algo passageiro.

Com o tempo, o relacionamento de Suzane e Daniel foi se tornando mais sério, e Manfred e Marísia começaram a ficar preocupados. O professor de aeromodelismo ganhava a vida construindo e vendendo dois aviões por mês, e ganhava em média 1400 reais por aeromodelo. 

Por conta disso, Suzane pedia um dinheiro extra ao pai, além da mesada que já recebia, e emprestava esse dinheiro ao namorado, que se aproveitava ao máximo das boas condições financeiras da família von Richthofen.

Suzane prestaria o vestibular para ingressar no curso de Direito na USP. Mas a jovem não teve sucesso, e não conseguiu atingir a pontuação necessária para passar para a segunda fase, o que foi considerado uma grande decepção para seus pais. O motivo que deram ao fracasso da filha foi seu relacionamento conturbado com o namorado.

Ao fim de 2001, os pais passaram a tentar convencer Suzane a dar um fim ao namoro, pois haviam descoberto o envolvimento de Daniel com drogas. Também sabiam que Suzane já negligenciava os estudos há muito tempo. 

A partir desse ponto, os dois começaram a se encontrar de noite às escondidas. Suzane dizia que ficaria em casa de amigas, estudando, enquanto elas ajudavam a encobrir a mentira.     

Em uma noite de abril de 2002, a estratégia deu errado. Marísia telefonou à melhor amiga de Suzane e descobriu que a filha não tinha ido dormir lá. 

Na manhã seguinte, quando Suzane voltou para casa, sua mãe exigiu explicações, e descobriu que a filha passava as noites em um motel com o namorado. Foi então que Manfred e Marísia resolveram proibir definitivamente o namoro. 

Depois de alguns desentendimentos com os pais, Suzane decide mentir, e diz que o relacionamento com Daniel tinha finalmente chegado ao fim, mesmo com os constantes encontros secretos. 

Entre maio e setembro de 2002, diversos confrontos entre Manfred e Daniel fizeram com que a polícia fosse chamada para apartar as brigas. O motivo era sempre o mesmo: Suzane chegava tarde em casa com Daniel escondido, e Manfred tentava impedi-lo de entrar. 

Nesses 2 anos, Suzane von Richthofen e Daniel Cravinhos discutiam diferentes formas de tirar Manfred e Marísia de suas vidas. No início, não pensavam em matá-los, apenas em fugir e viver da forma como queriam. 

Mas em algum momento, essa vontade deixou de ser apenas uma fantasia, e os planos do assassinato ganharam forma.

Na tarde do dia 30 de outubro, Suzane e Daniel decidiram fazer testes com uma arma. O objetivo era checar se os disparos dentro do quarto dos pais poderiam ser ouvidos fora da casa. Percebendo que o barulho era alto demais, precisaram desistir do plano e pensar uma nova forma de cometer os assassinatos.   

Suzane desiste de matar os pais e demonstra aceitar a decisão deles de proibir o namoro dos dois.

Nessa hora, Daniel chantageia Suzane e diz que vai se suicidar, já que o namoro não pode continuar. Por conta disso, ela volta a querer que ocorra o assassinato, mas com a condição de não ter que botar a mão na massa. 

Então, o Daniel vai atrás de seu irmão Christian e pede sua ajuda. A resposta dele foi algo como: “Não vou participar, a gente vai ser pego. Eu não sou criminoso e vou falar pros nossos pais”. Nesse momento Daniel desistiu de matar os pais da Suzane.

Manfred abusava da filha, Suzane Richthofen?

Com a desistência de Daniel, Suzane mentiu para Daniel. Ela se aproveitou do fato do Daniel ser emotivo e disse: 

“Já que você desistiu, vou te contar algo que eu não ia te contar: meu pai abusa sexualmente de mim desde os 14 anos”

Em 2004, em entrevista para a revista Quem, Suzane admitiu que o pai nunca a abusou.

Daniel, enciumado por causa de sua paixão, volta para casa e começa a quebrar o ateliê de aeromodelismo inteiro.

Segundo depoimentos, Cristian acabou topando participar do crime por amor. Ele disse:

“Eu entrei por amor ao meu irmão, porque eu sabia que ele não ia ser capaz de matar os dois sozinho”. 

Instantes antes dos assassinatos, Cristian falou a Daniel:

Tamo junto nessa, mas a gente vai se dar mal, não vamos saber nos comportar depois de cometer o crime”.

Na noite do crime, Suzane, Daniel e Christian deixaram Andreas em uma Lan House e disseram-lhe que tinham convencido os pais a deixá-lo faltar a aula no dia seguinte, e por isso poderia ficar por lá até tarde.

Na madrugada do dia 31 de outubro de 2002, uma quinta-feira, Daniel e Christian Cravinhos foram conduzidos por Suzane para dentro de sua casa. A garota, liderando o grupo, foi na frente para conferir se os pais estavam dormindo. 

Ao sinal positivo, Daniel e Cristian entraram no quarto e os mataram com golpes de canos de ferro. 

Foram golpes dados na cabeça. Manfred faleceu na hora. Marísia, ao ser atacada, acordou e tentou se defender com as mãos, por isso teve três dedos fraturados. Em suas últimas palavras, ela implorou para que os agressores não machucassem seus filhos.

Christian disse à polícia que, em determinado momento, enquanto agonizava, Marísia passou a emitir um som "parecido com um ronco". Para tentar silenciá-la, Christian Cravinhos então pegou uma toalha no banheiro do casal e a empurrou pela garganta, o que quebrou um dos ossos de seu pescoço. 

O corpo de Marísia foi envolvido em um saco plástico de lixo, que havia sido deixado por Suzane na escada para que os irmãos depositassem as barras de ferro e suas roupas manchadas com o sangue dos pais.

No depoimento de Suzane à polícia, ela disse:

"Chegamos em casa, eu entrei e fui até o quarto dos meus pais. Eles estavam dormindo. Aí, eu desci, acendi a luz e falei que eles podiam ir. Fiquei sentada no sofá, com a mão no ouvido. Eu não queria mais que meus pais morressem. Mas aí eu percebi que não tinha mais o que fazer, que já era muito tarde"

O que aconteceu com a fortuna dos von Richthofen? Quem ficou com a herança?

Manfred e Marísia Von Richthofen fortuna

Toda a fortuna de Manfred e Marísia Von Richthofen, avaliada em 11 milhões de reais, foi destinada para o filho caçula do casal, Andreas von Richthofen. Em 2011, foi promulgada a sentença judicial na qual Suzane foi considerada indigna de receber a herança.

Como o jovem sofre com o vício em álcool e drogas, a curatela dos valores provavelmente é feita por parentes próximos. Após o crime, Andreas passou a morar com a avó e os tios.

Atualmente, Suzane cumpre pena em regime semiaberto, Daniel está livre e Christian está preso, pois, após ganhar liberdade como seu irmão Daniel, Christian voltou a cometer crimes. O caso ainda é lembrado até os dias de hoje, mesmo por pessoas que nasceram após o ocorrido, tendo atravessado gerações devido ao choque que causou na sociedade.

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