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O fim do Japão? Entenda por que a população do país caiu para o menor número desde 1984

Há mais de uma década, o governo japonês tem pensado em medidas para aumentar a população.

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Redação Brasil Paralelo
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População do Japão caí para o menor índice do século XXI
Fonte da imagem: Imagem gerada por IA

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A quarta maior economia do mundo está passando por uma grave crise que pode mudar a estrutura do país para sempre

A população do Japão atingiu um recorde negativo, chegando ao menor nível desde o início do século XXI

Com isso, o país voltou ao número de japoneses registrados no censo sobre o ano de 1984.

Dados preliminares sobre 2025 mostram que o país tinha 123.049.524 habitantes em 1º de outubro do ano passado.

O número representa uma redução de 3.096.575 pessoas na comparação com o levantamento de 2020

A queda de 2,5% é a maior já registrada em um intervalo de cinco anos desde que o país começou a realizar censos nacionais, em 1920.

Também foi a primeira vez que o Japão perdeu mais de 1 milhão de habitantes em um único ciclo censitário

O Ministério dos Assuntos Internos atribui o resultado ao envelhecimento acelerado da população e ao decréscimo natural, quando as mortes superam os nascimentos

Segundo análise do The New York Times, o país registra aproximadamente duas mortes por cada nascimento.

Queda em casamentos ajuda a explicar mudança

Em 2025, o Japão registrou 705.809 nascimentos, o menor número desde 1899 e o décimo ano consecutivo de queda. O resultado surpreendeu até as projeções oficiais.

O Instituto Nacional de Pesquisa sobre População e Seguridade Social estimava que o país só chegaria a 700 mil nascimentos em 2042.

O principal motivo para essa redução parece estar principalmente ligado ao fato de que cada vez menos japoneses estão formando famílias.

Segundo o pesquisador Tony Arnold, do Instituto Nacional de Estudos de Defesa do Japão, a principal causa da crise demográfica é a queda no número de casamentos

Em pesquisa realizada em 2024, 35,4% das japonesas solteiras entre 15 e 39 anos disseram que não querem ter filhos, enquanto 20,2% afirmaram não ter interesse em se casar.

Fatores econômicos também pesam na questão. Nas últimas décadas, o número de trabalhadores em empregos temporários ou com pouca estabilidade disparou

Muitos jovens enfrentam salários baixos, contratos precários e dificuldades para construir uma carreira sólida. 

Além disso, jornadas longas de trabalho e altos custos para criar crianças também contribuem para reduzir a natalidade.

A queda da população japonesa, porém, não é uma novidade. Há mais de uma década diferentes governos tentam encontrar uma solução para o problema.

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Governo tenta conter queda na população

Durante o governo do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, uma das prioridades foi criar políticas para incentivar a formação de famílias e aumentar a natalidade

As medidas concentraram esforços em facilitar a conciliação entre trabalho e vida familiar, ampliar o apoio às mães e reformar o mercado de trabalho. 

O governo também propôs limitar as jornadas excessivas, divulgou listas de empresas que desrespeitavam leis trabalhistas e buscou enfrentar a precarização do emprego entre os jovens.

No entanto, as mudanças produziram resultados limitados e muitas das reformas não alteraram de forma significativa as condições enfrentadas pelos trabalhadores mais jovens.

Hoje, o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi trata o declínio populacional como "o maior problema" do país

Recentemente, anunciou um pacote de R$114 bilhões voltado ao incentivo à natalidade, que incluí:

  • ampliação de benefícios para famílias com filhos;

  • reforço das licenças-maternidade e paternidade;

  • propostas de incentivos fiscais para creches e contratação de babás.

A crise demográfica não afeta apenas o Japão

O caso japonês é um dos mais marcantes no mundo, porém o país está longe de ser um caso isolado.

Na verdade, a maioria dos países no mundo atualmente está enfrentando o envelhecimento e queda da população

Até o Brasil tem registrado uma taxa de natalidade de 1,55 filhos por mulher, o que está abaixo dos 2 necessários para manter a população.

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