O fim de Netanyahu? Oposição articula para conseguir maioria e formar governo em Israel
Partidos árabes anunciaram que apoiariam o opositor Gadi Eisenkot para formar governo.

Uma semana após as eleições legislativas de Israel, a oposição está articulando para pôr um fim ao governo de Netanyahu.
Os dois partidos árabes recomendaram Eisenkot ao presidente Isaac Herzog. A recomendação, porém, não os obriga a entrar na coalizão.
Uma das siglas, a Lista Unida, tem 11 deputados e justificou seu posicionamento em comunicado:
“A decisão atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder”.
O deputado Ahmad Tibi, veterano da legenda, propôs que o partido apoie um governo de oposição nas votações do Parlamento, mas sem ocupar ministérios.
Ele reconheceu, no entanto, que uma aliança assim não encerraria as guerras de Israel nem a expansão dos assentamentos na Cisjordânia.
Já o Ra’am, com oito deputados, diz estar disposto a integrar o governo. O partido foi o único árabe a fazer parte de uma coalizão em Israel, no governo de Naftali Bennett e Yair Lapid, em 2021.
Seu líder, Mansour Abbas, afirmou que o principal objetivo do partido no momento é acabar com o mandato do primeiro-ministro:
“Estendemos a mão para apoiar os esforços de Eisenkot e faremos o possível para afastar Netanyahu do poder”.
Abbas também disse a Herzog que o partido apoia o desarmamento total do Hamas, uma das quatro condições de Eisenkot para formar coalizão:
“A sociedade árabe, e eu como indivíduo, assim como os cidadãos árabes como um todo, somos uma ponte. Não vamos destruir essa ponte. Não nos transformem em apoiadores do terrorismo ou em traidores”.
O apoio árabe, porém, divide a própria oposição. O líder dos Democratas, Yair Golan, defende a parceria, que daria ao grupo 67 cadeiras.
Outros líderes, como Avigdor Liberman, do Yisrael Beytenu, rejeitam qualquer aliança com os partidos árabes, mesmo com apoio de fora do governo.
Após o atentado de 7 de outubro de 2023, eles acreditam que a parceria poderia ser mal vista por setores da sociedade israelense.
Relembre o ataque e as consequências dele para o Oriente Médio com o documentário From The River To The Sea. Assista completo abaixo:
Ruptura na base de Netanyahu
Além disso, um dos aliados mais tradicionais de Netanyahu, o partido ortodoxo Judaísmo Unido da Torá, também declarou neutralidade na votação.
A sigla era uma apoiadora leal do primeiro-ministro em uma aliança que vem desde seu primeiro mandato, em 1996.
A decisão acontece em meio a tensões com o primeiro-ministro sobre o serviço militar dos estudantes religiosos.
Os partidos ultraortodoxos chegaram a deixar o governo depois que Netanyahu não transformou em lei a isenção desses estudantes.
A abstenção favorece a oposição. Os dois partidos ultraortodoxos somam 13 cadeiras, o que daria a Eisenkot uma maioria apertada.
Para atraí-los, a oposição começou a flexibilizar suas posições e disse que aceita negociar o tema.
Presidente hesita
Mesmo com 67 recomendações, Herzog ainda não anunciou quem terá a primeira chance de formar o governo.
Ele disse que vai decidir no domingo (8), depois de novas conversas com líderes partidários:
“Os resultados das consultas parecem claros. Mas a autoridade que me foi concedida por lei é a de determinar quem tem a capacidade de formar um governo, e isso não está totalmente claro à luz dos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos”.
Segundo a imprensa israelense, Herzog trabalha nos bastidores por um governo de unidade entre os partidos judeus sionistas, o que excluiria árabes e ortodoxos.
Já a oposição rejeita dividir o governo com Netanyahu. O partido de Eisenkot diz que busca um “governo nacional de emergência” para reparar os “danos” da gestão atual.
Do lado do Likud, representantes da coalizão chegaram a afirmar que a eleição foi roubada, citando uma investigação do serviço de segurança interna sobre suspeitas de que Catar e Turquia teriam enviado dinheiro para influenciar o voto árabe.
A Comissão Eleitoral Central, porém, ratificou o resultado e afirmou que não houve prejuízo à integridade da eleição.
O fim de uma era?
Caso o Likud seja derrotado por uma aliança da oposição, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.
Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.
Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:
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