Após fala da primeira-dama, AGU anunciou que poderá entrar com ação civil contra a empresa responsável pela rede social.

A primeira-dama Janja da Silva quer derrubar uma das maiores plataformas do mundo no Brasil.
O pedido ocorreu depois da morte de uma adolescente de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, durante uma transmissão ao vivo no Discord.
Segundo as investigações, a menina teria sido aliciada por integrantes de um grupo que atuava na internet e induzida a praticar atos de automutilação e, depois, tirar a própria vida.
Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (6), Janja defendeu que a plataforma seja bloqueada no país:
"Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. É um apelo que eu faço. A gente precisa de instrumentos para bloquear o Discord... A gente precisa encontrar os instrumentos legais, esse não é um caso isolado. A gente precisa atuar junto ao Judiciário para tirar essa rede horrorosa do ar".
O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que o órgão vai abrir uma ação civil pública contra o Discord.
Antes disso, o órgão deve receber informações produzidas pelo Ministério da Justiça sobre o caso.
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O caso aconteceu em 22 de julho, em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. A adolescente conheceu um grupo que atuava na plataforma e transmitia cenas de automutilação.
Incentivada pela organização, ela abriu uma transmissão que durou cerca de 45 minutos e foi acompanhada por mais de 200 pessoas. Ao longo da live, ela se cortou e tirou a própria vida.
O caso foi identificado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado ao Ministério da Justiça.
Em 4 de agosto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Lívia para identificar os responsáveis pelo aliciamento da menina.
Foram cumpridos sete mandados judiciais em diferentes estados: seis de busca e apreensão contra adolescentes e um de prisão contra um adulto.
Computadores, celulares e outros equipamentos foram apreendidos. O material será periciado para tentar identificar outros integrantes do grupo e possíveis novas vítimas.
Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam manipulação psicológica, chantagem e desafios violentos para controlar crianças e adolescentes.
As autoridades também investigam a possível participação dos envolvidos em outros crimes praticados na internet.
O Discord é uma plataforma de comunicação que permite conversas por texto, chamadas de voz e vídeo e transmissões ao vivo.
Criado em 2015 e muito popular entre jogadores de videogame, o serviço passou a reunir comunidades sobre diversos assuntos.
Uma das principais características da plataforma são os chamados “servidores”. Qualquer usuário pode criar uma comunidade e organizar dentro dela diferentes canais para texto, voz, vídeos, imagens e transmissões de tela.
Também existem mensagens privadas e chamadas entre usuários fora dos servidores.
A plataforma está no centro dos debates sobre internet e liberdade de expressão. Por um lado existem criminosos que fazem mau uso dela, por outro é muito importante para a articulação da sociedade civil.
Os protestos da Geração Z, que se espalharam pelo mundo ao longo do ano passado, foram articulados através do Discord.
Essas manifestações foram responsáveis por acabar com o governo do Partido Comunista no Nepal e se espalharam por países como:
Bangladesh;
Bulgária;
Sri Lanka;
Quênia;
Madagascar;
Marrocos;
Peru
No Nepal, a plataforma chegou a ser utilizada para a escolha de quem controlaria o governo provisório até as eleições gerais do país.
A regulamentação da internet e das redes sociais tem feito com que muitos temam por um avanço do Estado contra a liberdade civil.
A Brasil Paralelo investigou como o serviço de inteligência dos EUA usou as plataformas para silenciar seus cidadãos e espalhar a censura contra vozes conservadoras ao redor do mundo.
Conheça a máquina de censura americana com o documentário God Complex, a primeira produção voltada para o público internacional. Assista completo abaixo: