Ministro deu 48 horas para a defesa explicar se o ex-presidente sabia que o filho divulgaria o documento nas redes sociais.

O ministro Alexandre de Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai.
A decisão foi tomada nesta segunda-feira (13), depois que Flávio divulgou nas redes sociais, no último sábado (11), uma carta escrita por Bolsonaro.
No texto, o ex-presidente reafirma apoio ao filho como pré-candidato à Presidência da República na eleição de outubro e o chama de "porta-voz" e "melhor opção" para o país.
Segundo Moraes, uma das condições da prisão domiciliar de Bolsonaro, definida em março deste ano, é a proibição de usar redes sociais, diretamente ou por meio de terceiros.
Para o ministro, Flávio usou o direito de visita ao pai com o único objetivo de obter o documento e publicá-lo.
"Não há dúvidas, portanto, de que a conduta irregular de Flávio Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita".
Moraes também classificou o senador como reincidente, lembrando que uma conduta parecida já havia ocorrido em agosto de 2025.
Na ocasião, pai e filho produziram, segundo o ministro, "material pré-fabricado" para apoiadores políticos, episódio que motivou a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro.
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A decisão abre ainda um prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se o ex-presidente tinha conhecimento prévio de que a carta seria divulgada nas redes.
Para Moraes, uma fala do próprio Flávio ao apresentar o documento, "É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação", sugere que Bolsonaro sabia do plano, o que também configuraria descumprimento da medida cautelar.
O ministro determinou ainda o envio da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral, para que sejam avaliadas possíveis medidas cabíveis.
Segundo Moraes, a divulgação do vídeo e o uso de expressões com carga semântica equivalente a um pedido explícito de voto podem configurar propaganda eleitoral antecipada, o que deve ser apurado pelo Ministério Público Eleitoral.
Com a suspensão das visitas, Flávio e o pai não poderão se encontrar até meados de outubro, mês em que está previsto o primeiro turno das eleições.
A divulgação da carta gerou reação tanto de opositores quanto de aliados de Bolsonaro.
A publicação da carta ocorreu poucos dias depois de Flávio e Michelle Bolsonaro trocarem acusações públicas nas redes sociais, episódio que também motivou a saída de Michelle da presidência do PL Mulher.
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