Defesa afirma que a arma envolvida no processo saiu da casa do ex-presidente apenas para manutenção e nega crime no episódio.

Jair Bolsonaro recebeu policiais civis em sua casa nesta terça-feira, 23, para prestar depoimento sobre uma arma registrada em seu nome que foi apreendida durante uma blitz no Distrito Federal.
A oitiva ocorreu na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar e foi acompanhada pela defesa. A equipe da Polícia Civil permaneceu no local por cerca de 40 minutos.
O caso ganhou peso porque acontece às vésperas do fim do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária temporária concedida por Alexandre de Moraes.
A equipe da Polícia Civil ficou cerca de 40 minutos na residência de Bolsonaro, em Brasília. Segundo a defesa, a oitiva do ex-presidente durou cerca de cinco minutos e apenas reafirmou a versão já apresentada aos investigadores.
A arma, uma pistola Glock calibre 9 milímetros, foi apreendida no dia 15 de junho com Estácio Leite da Silva Filho, segundo-sargento do Exército que atua na segurança do ex-presidente. Ele foi abordado durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.
De acordo com o relato da abordagem, a pistola estava no assoalho do carro. Um policial militar afirmou que, ao perceber a arma, o motorista fechou o vidro de forma repentina.
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Os advogados afirmam que o ex-presidente tinha posse regular do armamento e que o certificado de registro da arma é de 2019.
Segundo eles, Bolsonaro constatou uma falha ao acionar o ferrolho da pistola, sem realizar disparos, e pediu ao segurança que verificasse o problema.
A defesa também apresentou outra explicação ao Supremo. Segundo os advogados, a equipe de segurança teria retirado o percussor da arma, sem conhecimento prévio de Bolsonaro, para torná-la inoperante.
A justificativa seria o quadro psiquiátrico do ex-presidente e o uso de medicações capazes de afetar sua cognição.
Para os advogados, portanto, a arma saiu da casa apenas para que a falha fosse identificada e reparada.
O ministro questionou por que Bolsonaro mantinha uma arma em casa, com carregador sobressalente, e por que teria pedido o conserto do armamento justamente perto do fim do prazo da prisão domiciliar.
O caso também levantou outra dúvida: se as ordens judiciais de fiscalização estavam sendo cumpridas.
Moraes determinou que o 19º Batalhão da PMDF, responsável pelas medidas de segurança durante a domiciliar, explicasse se os veículos que saem da residência de Bolsonaro estavam sendo revistados.
A PM respondeu que faz varredura em habitáculos e porta-malas dos carros que deixam a casa. No entanto, afirmou que veículos usados por seguranças ficam estacionados em via pública e não entram na garagem, por isso não passam por vistoria.
O depoimento não deve ser enviado automaticamente ao STF, já que o inquérito tramita na esfera do Distrito Federal. Ainda assim, há expectativa de que Moraes requisite o material.
A decisão sobre o futuro da prisão domiciliar de Bolsonaro cabe ao ministro. Caso o benefício seja revogado, o ex-presidente pode voltar para a unidade conhecida como Papudinha, no Complexo da Papuda.
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