Ex-presidente permanece detido em sala especial da Polícia Federal enquanto defesa pede prisão domiciliar.

Imagens feitas na tarde deste domingo mostram Michelle Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal. Momentos depois, Jair Bolsonaro foi visto e filmado na janela do local. O ex-presidente está preso desde sábado e é mantido em uma sala especial na PF enquanto sua defesa pede prisão domiciliar humanitária.
A visita ocorreu no mesmo dia em que médicos divulgaram um boletim sobre seu estado de saúde, após relatarem episódio de confusão mental causado pela interação de medicamentos.

Michelle chegou ao prédio por volta das 14h, acompanhada de assessores, entrou sem falar com a imprensa e permaneceu no local por cerca de 40 minutos. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

Ao deixar a superintendência, por volta das 17h, ela acenou para apoiadores, mas não deu entrevistas.

Bolsonaro foi conduzido à PF após a corporação identificar indícios de que ele teria tentado burlar a tornozeleira eletrônica utilizando equipamento de solda. Segundo os agentes, o episódio ocorreu na sexta-feira (21). Após o registro a PF instalou películas escuras nos vidros das portas.
O ex-presidente passou a noite clinicamente estável na Superintendência da PF, segundo boletim médico assinado pelos médicos Cláudio Birolini, cirurgião-geral, e Leandro Echenique, que estiveram com ele neste domingo.
Eles confirmam que Bolsonaro relatou, na noite de sexta, confusão mental e alucinações.
De acordo com o boletim, o quadro pode ter sido provocado pela pregabalina, medicamento prescrito por outro membro da equipe médica.
A substância tem interação conhecida com remédios que Bolsonaro já usa para crises de soluços, clorpromazina e gabapentina, combinação que pode causar sedação, desorientação, alucinações, prejuízo cognitivo e perda de equilíbrio.
Bolsonaro repetiu essa versão durante a audiência de custódia, afirmando que a confusão mental teria levado ao dano na tornozeleira.
O ex-presidente está em uma sala especial de cerca de 12 m² na sede da PF, com cama, banheiro, TV e ar-condicionado. Ele permanecerá no local até decisão final sobre o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, após o trânsito em julgado previsto para a próxima semana.
A defesa de Bolsonaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes um pedido para que o ex-presidente cumpra prisão domiciliar humanitária. Os advogados alegam que, pela idade e pelas condições de saúde, ele deveria permanecer em casa, não em unidade prisional.
No documento, afirmam também que “inexiste risco de fuga” e que a violação da tornozeleira teria relação com o suposto quadro de confusão mental causado pela interação medicamentosa.
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